Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti nasceu em Recife em 16 de fevereiro de 1888. Sobre o seu nascimento escreveu Maria de Lourdes Costa, na "Gazeta Comercial" de Juiz de Fora, em 1959: “Há setenta anos passados, no 3º andar da rua Santo Antônio, em Recife, num sobrado azul salpicado de estrelas brancas, onde havia uma casa de fazendas chamada: “Loja das Estrelas”, nascia o maior trovador do Brasil: Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti.” E continua: ele próprio descreve: “Nossos familiares brincavam com meu pai, dizendo: “Tavares, o menino vai ser poeta. Nasceu nas estrelas...” Adelmar fez os seus primeiros estudos em Goiana (Pernambuco). Transferiu-se para Recife com 11 anos. Estudou no Colégio XI de Agosto e no Instituto Pernambucano. Formou-se em Direito em 1910. Em Recife, com outros colegas de Faculdade, publicou o seu primeiro livro, em 1907, quando tinha apenas 19 anos. O volume intitulava-se “Descantes”, compunha-se de trovas e os seus companheiros eram: Carlos Estevão, Manoel Monteiro, A. Silveira Carvalho e Moreira Cardoso. Veio para o Rio de Janeiro logo depois de formado. Nesta cidade ocupou o cargo de adjunto de Promotoria Pública, de advogado do Banco do Brasil e foi, mais tarde, presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e professor da Faculdade de Direito de Niterói. Em 25 de março de 1926 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira n.º 11 que tem como patrono Fagundes Varela, na sucessão de João Luís Alves, foi recebido em 4 de setembro de 1926, pelo acadêmico Laudelino Freire. Em 1947, assim iniciava uma crônica sobre o seu livro “Poesias Escolhidas”: Em 1951 escrevia eu: “Adelmar Tavares é considerado, com inteira justiça, o Príncipe da Trova Brasileira. Suas quadras, nascidas de um coração emotivo, são simples e puras, sem preocupações técnicas e preciosismos. Andam, anônimas, na boca do povo e são admiradas e elogiadas por críticos, leitores e trovadores. Profundamente lírico, possui trovas sentimentais e conceituosas que enternecem e fazem meditar.” E ao receber o seu “Ramo de Cantigas” assim terminava o artigo que escrevi sobre o livro, em 1955: “...E quantas, nesse “Ramo de Cantigas” poderiam ser citadas?! Quase todas... diria, sem exagero. Pois, os que compõem trovas ou que admiram esse gênero poético, sabem que Adelmar Tavares é um trovador de mãos cheias... Repletas de trovas bonitas, espontâneas e musicais, nascidas de um coração de poeta-trovador. Suas quadras são fáceis. Fáceis de ouvir, sentir e decorar. E são perfeitas. Não pela preciosidade de rimas ou termos raros, mas, sim, pelo sentimento, pela idéia e inspiração." "Para matar as saudades, Fica assim comprovado o grande prestigio das trovas de Adelmar entre poetas e trovadores. "E' nossa alma uma criança, Do Maranhão - Município de Paranarama, ouvida em Rosário, num Côco do Mato, "A imagem de nossas almas Do Piauí - Município de Floriano - Messias Alves Feitosa manda-nos esta com a informação: "Tu censuras de minha alma De Itatira, no Ceará, recebemos esta outra, como anônima: "Todo rio na corrente ...E assim poderíamos ir correndo as fichas de todo o Brasil e nos diversos Estados, em todos os recantos, encontraríamos uma trova de Adelmar Tavares aflorando, anônima, na boca do povo... ... E que alegria e glória maior para trovador do que essa de ouvir as suas próprias trovas na boca do povo?! O próprio Adelmar, saudando o grande trovador português Antônio Correia de Oliveira, na sua chegada ao Brasil, compôs várias quadras e entre elas havia esta, que serve perfeitamente para o seu autor: "Porque és um Rei de verdade. Não cabe na pequena extensão deste trabalho uma análise minuciosa das trovas do nosso biografado. Vejamos assim, rapidamente a maneira de trovar de Adelmar Tavares. O que, em primeiro lugar, ressalta aos nossos olhos é o seu carinho e amor pela Trova, e, ao mesmo tempo, como disse anteriormente, a sua fidelidade a esse gênero. Na Introdução de "Um Ramo de Cantigas" ele confidencia: E esse carinho fica evidenciado nestas palavras simples e saudosas, a respeito de seu livro "Descantes": "Isso é uma saudade muito grande na minha vida... porque essas trovas nasceram das serenatas... O violão... o luar... e a serenata... daqueles lindos tempos.. A serenata era tudo para nós..." De alma lírica e coração sensível, cultuando a Trova, Adelmar Tavares é sobretudo um poeta simples. De uma simplicidade que encanta e que está presente em quase todas as suas quadras. Não força a sua maneira de dizer, faz as suas trovas como se estivesse conversando. Elas nascem espontaneamente como esta: "Vivo triste, triste, triste, Numa gravação feita há alguns anos, em meu poder, ele observava: "A trova quando é erudita demais não é propriamente trova... A trova não precisa ter essa erudição profunda porque perde assim o seu espírito, aquele espírito de que o Luiz Otávio falava ainda há pouco..." Além da simplicidade as suas trovas são sentidas. Têm alma, têm sentimento. Vejam, por exemplo: "Neste mundo, a certas vidas, Por outro lado seus versos agradam porque possuem melodia. São musicais, no ritmo e nos sons. Sintam toda a beleza, sonoridade e poder sugestivo desta miniatura: "Duvido que alguém no mundo, Simplicidade, sentimento, música... Com estas três chaves milagrosas vai Adelmar Tavares abrindo o coração do povo e nele aninhando as suas trovas... Tão suavemente que o povo, *** O caráter predominante de suas trovas é o lirismo. O seu cantar é suave, geralmente cheio de ternura e de bondade. Ele mesmo confessa: "Quem dera que minhas trovas, Na sua mocidade cantou o amor lírica e apaixonadamente. São inúmeras as suas trovas sobre o amor, a saudade, ou para a mulher amada. Vejamos apenas uma, tão delicada e sugestiva: "Quando vejo o teu sorriso, Além dessa faceta lírica, sentimental, o Rei da Trova Brasileira é também um trovador conceituoso. Compõe muitas quadras profundas. Daquelas que o leitor lê, repete mentalmente e fica a meditar... Entre outras: "Ora a Vida!... Deixa-a andar." ou "A imagem de nossas almas", ou "Todo o rio na corrente" ou esta, tão profunda e triste: "A morte não é tristeza, E a trova satírica estará também entre os motivos constantes de sua inspiração? - Não, ela não se harmoniza bem com a alma pura, com o coração ingênuo e sem maldades de Adelmar Tavares. Ele não é contra a trova satírica, humorística, bem feita. Em 1953 me dizia: "Essa trova satírica é usada muito pouco. Quem no Brasil fere, às vezes, essa trova mordaz e que eu aprecio imenso, porque é um dos nossos maiores trovadores, é Bastos Tigre. O Bastos Tigre tem coisas admiráveis... Também magnífico é Djalma Andrade... É uma das grandes vozes trovadorescas nossas..." E terminava: "Quando essa trova (a satírica) é feita sem talento é chalaça..." Com o que concordamos. "Se eu pintasse minha infância, Obs. No II Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, realizado em S. Paulo, Adelmar Tavares, faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de junho de 1963 in Era filho de Francisco Tavares da Silva Cavalcanti e de Maria Cândida Tavares. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde colou grau em 1909. Ainda estudante, começou a colaborar na imprensa como redator do Jornal Pequeno. Em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou importantes cargos. Foi professor de Direito Penal na Faculdade de Direito do Estado do Rio de Janeiro; promotor público adjunto (1910); curador de resíduos e testamentos (1918); curador de órfãos (1918-1940); advogado do Banco do Brasil (1925-1930); desembargador da Corte de Apelação do Distrito Federal (1940) e presidente do Tribunal de Justiça (1948-1950). Enquanto desenvolvia sua carreira na magistratura, Adelmar Tavares continuava colaborando na imprensa, e seu nome se tornara conhecido em todo o Brasil no setor da trova, sendo considerado, até hoje, o maior cultor desse gênero poético no Brasil. Suas trovas sempre mereceram referência na história literária brasileira. Sua obra poética caracteriza-se pelo romantismo, lirismo e sensibilidade, sendo recorrentes temas como o da saudade e o da vida simples junto à natureza. Era membro da Sociedade Brasileira de Criminologia, do Instituto dos Advogados, da Academia Brasileira de Belas Artes, membro e patrono da Academia Brasileira de Trovas. Era considerado o Príncipe dos Trovadores Brasileiros. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras em 1948. Obras: Descantes, trovas (1907); |