jornalista, poeta, músico |
"Sou um cara da era da comunicação de massas. Minha sensibilidade tem mais a ver com poetas e escritores como Paulo Leminski, Torquato Neto, José Agrippino de Paula, William Burroughs, Arthur Rimbaud, Oswald de Andrade do que com Drummond de Andrade, Mário de Andrade ou Manuel Bandeira. Nunca me preocupei muito com unidade. Sou uma pessoa multifacetada. Minha curiosidade aponta para várias direções. Vivo num grande centro urbano. Talvez minha unidade (e a unidade das sociedades contemporâneas) esteja justamente nesta fragmentação. O cubismo e a bomba de Hiroshima já estilhaçaram tudo. A grande indústria está mais interessada na vulgaridade, na burrice e no conformismo do baixo consumo. É a lógica do capitalismo selvagem que estamos vivendo: emburrecer as pessoas e ganhar muito dinheiro. Informação não é o mesmo que conhecimento. Vivemos a mítica da era da informação. Mas nunca as pessoas foram tão ignorantes. É o caso de se perguntar: precisamos realmente deste tipo de informação que estão nos vendendo? Estou cada vez mais interessado em cavocar no subsolo da consciência humana. Já que vivemos numa época de alucinação coletiva, com uma incessante enxurrada de informações visuais, auditivas e verbais, procuro encontrar alguma essência no meio do excesso. Não consigo encarar a poesia apenas como um exercício de técnica. É preciso ter algo a dizer. Vejo muita poesia cheia de truques mirabolantes mas que não diz nada. Não basta apenas um "corpo bonito, perfeito". Sem o sopro de vida incessante, tanto a arte como as pessoas são apenas esqueletos ambulantes.” Trechos extraídos do site oficial do autor: |