Alfonsina Storni (Alfonsina Storni Martignoni), nasceu na Suíça Italiana em 29 de maio de 1892. Imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896. Em 1901 mudou-se para a cidade de Rosario (Santa Fé), onde levou uma vida muito difícil tendo que trabalhar para o sustento da família como costureira, operária, atriz e professora, depois de estudar por dois anos (1909-1910) coincidindo com as suas primeiras publicações. Bibliografía La inquietud del rosal, 1916 Cronologia 1886 – 16 de outubro. Alfonso Ambroggio Carlo Storni casa-se com Pascualina (Paulina) Marianna Martignoni, em Origlio, Cantón Ticino, Suíça. Alfonso havia partido em 1880 com seus três irmãos Angelo, Pietro e Paolo para a América do Sul, estabelecendo-se na cidade de San Juan, para onde também vai Paulina, logo depois do casamento. Os Storni eram prósperos empreendedores e haviam instalado a primeira fábrica de soda do lugar, que logo fabricaria gelo e finalmente, cerveja. Paulina provinha de uma família burguesa suíça e havia recebido uma esmerada educação, que incluía o título de professora. Era uma grande leitora, amava a música e cultivava o canto com boa voz de soprano. Segundo se sabe, foi o centro da vida mundana de San Juan, e desenvolveu uma atividade de escritora para jornais e revistas da cidade, com a publicação de crônicas sociais que ela escrevia em duas línguas, italiano e francês. 1887 – 19 de outubro. Nasce a primogênita, María Storni. 1888 – 12 de novembro. Nasce o segundo filho, Romeo Storni. 1890 – Os médicos aconselham uma viagem à Europa para sanar a inexplicável melancolia que havia acometido Alfonso Storni: desaparece durante dias inteiros de casa, se entrega à bebida. A família parte para a Suíça. 1892 – 22 de maio. Nasce Alfonsina Storni em Sala Capriasca, Cantón Ticino, Suíça. 1896 – A família Storni retorna a San Juan. “Estou em San Juan – recorda Alfonsina – tenho quatro anos; vejo-me corada, redonda, nariz achatado e feia. Sentada na soleira da porta de minha casa, movo os lábios como se estivesse lendo um livro que tenho na mão, e fico espiando para ver o que os outros pensam. Uns primos meus começam a gritar, dizendo que tenho um livro ao contrário, morro de vergonha e corro a chorar atrás da porta”. (Vide “Entre um par de valises entreabertas e o ponteiro do relógio”). 1898 – 29 de agosto. Nasce Hildo Alberto, o último filho do casamento Storni. Desta época é a lembrança do primeiro livro “roubado”: “Aos seis anos roubo, com premeditação e ardileza, o livro com que aprendi a ler. Minha mãe está muito doente na cama; meu pai perdido em seus delírios”. Naqueles anos, começa também a decadência econômica da família, que acaba na ruína três anos depois. 1901 – A família se muda para Rosario em busca de novos horizontes. Paulina instala uma escola particular em sua casa: mas logo Alfonso decide abrir um bar em frente à estação Sunchales: o “Café Suíço”. Alfonsina ajuda, lavando pratos e copos, e no serviço das mesas. 1904 – Fecha o “Café Suíço”. Os Storni se mudam para uma casa mais humilde. Aos doze anos, Alfonsina escreve seus primeiros versos. 1905 – María Storni se casa. Alfonsina fica sozinha para ajudar sua mãe nos trabalhos de costura, com os quais mantinham a casa. 1906 – Morre Alfonso Storni. Alfonsina começa a trabalhar em uma fábrica de gorros. Lá ela fica conhecida pelo bom humor e sua participação na luta pelas reivindicações sociais, engajada nas fileiras anarquistas. 1907 – Realiza suas primeiras experiências como atriz na companhia teatral de Manuel Cordero. Meses depois, uma vez incorporada à companhia de José Tallaví, participa em uma turnê durante um ano por todo o país. 1908 – Paulina se casa pela segunda vez com Juan Perelli, e se muda com os filhos para Bustinza, uma aldeia do departamento de Santa Fé de Iriondo. Lá, volta a instalar uma escola particular e dá à luz sua filha Olimpia. 1909 – Alfonsina parte para Coronda, para estudar na Escola Normal Mista de professores rurais. Trabalha no mesmo local como professora, para pagar seus estudos, completando-os dois anos depois. 1911 – Começa sua carreira de professora em Rosario. Colabora regularmente nas revistas Mundo Rosarino e Monas y Monadas. Com apenas dezenove anos, torna-se vice-presidente do Comitê Feminista de Santa Fé. 1912 – Muda-se para Buenos Aires. Em 21 de abril nasce seu filho Alejandro Alfonso Storni. Trabalha como caixa em uma farmácia, como vendedora na loja “Ciudad de México”; logo é “correspondente psicológica” para a firma Freixas Hermanos. Colabora em Caras y Caretas, e Fray Mocho. 1916 – Publica La inquietud del rosal, na editora Tor, com prólogo de Julián Lastra. Colabora em El Hogar, Mundo Argentino, Atlántida. Vincula-se ao grupo intelectual da revista Nosotros, que dirige Roberto F. Giusti, e que se compõe, entre outros, por Manuel Gálvez, Arturo Capdevilla, Alberto Gerchunoff e José Ingenieros. Giusti conta que foi a primeira mulher a freqüentar os banquetes de escritores, cujas reuniões foram realizadas durante muitos anos na casa de Oliverio Girondo. O aparecimento de seu primeiro livro causou escândalo, especialmente pelo poema “La loba”. Alfonsina teve que deixar seu emprego. 1918 – Publica El dulce daño, que inclui “Tú me quieres blanca”, e já começa a ter sucesso de público. Seus livros são reeditados rapidamente e seguem provocando escândalo entre homens e mulheres. Continua com suas colaborações em jornal. Trabalha como professora na escola de alunos especiais do Parque Chacabuco. Conhece Fermín Estrella Gutiérrez. 1919 – Publica Irremediablemente, que inclui “Hombre pequeñito” e o oposto “Oye”. Inaugura a seção “Feminidades” ou “Vida Femenina” no jornal La Nota, e usa este espaço para levar a cabo uma luta decidida em favor dos direitos da mulher e das crianças. Vincula-se aos grupos feministas e socialistas. 1920 – Inicia uma etapa de transição em sua obra poética, com a publicação de Languidez, seu quarto livro, atacado pela crítica, a partir do momento em que começa a afastar-se da lírica confessional, mas recebe em 1925 o Primeiro Prêmio Municipal. Começa a colaborar no La Nación, com o pseudônimo Tao-Lao. Viaja pela primeira vez a Montevidéu e conhece Juana de Ibarbourou. 1921 – Roberto f. Giusti cria para ela uma disciplina especial de declamação no Teatro Infantil Labardén. Viaja regularmente a Los Cocos (Córdoba), por conselho médico de seu amigo José Ingenieros, em busca de descanso. 1923 – Doutor Sagarna cria, para ela, uma disciplina de declamação na Escola Normal de Línguas Vivas. Participa de reuniões literárias, especialmente as do grupo “Anaconda”, onde fica amiga de Horacio Quiroga e Baldomero Fernández Moreno. Exibe seus dotes humorísticos e um toque sempre mordaz. Também organiza saraus poéticos nos bairros de Buenos Aires. 1924 – Na Espanha, é editada uma antologia de sua obra. 1925 – Publica um de seus mais famosos livros, Ocre, e começa a brincar com a autoparódia, com poemas como “La ronda de las muchachas” e “Fiesta”. O livro teve três edições e foi traduzido para o francês. Graças a sua iniciativa, organiza-se a primeira Festa da Poesia em Mar del Plata. Fazia já vários anos que Alfonsina passava seus verões ali. 1926 – Publica seu primeiro e único livro de poemas em prosa, Poemas de amor, ignorado por público e crítica. 1927 – Estréia no teatro Cervantes sua primeira obra teatral, El amo del mundo, com pouca repercussão de público e crítica, e sai de cartaz no terceiro dia. 1930 – Viaja a Europa com sua amiga Blanca de la Vega. Profere conferências na Espanha com grande sucesso. Publica suas impressões de viagem no La Nación. 1931 – Publicam-se suas obras teatrais Cimbellina em 1900 y pico, e Polixena y la cenicienta, sob o título geral de Dos farsas pirotécnicas. 1932 – Realiza sua segunda viagem a Europa, em companhia do seu filho Alejandro. 1935 – Publica Mundo de siete pozos, o livro que marca já a liberação do gênero “poema de amor”, e um novo rumo para a sua escrita. No mesmo ano, descobre que sofre de um tumor no seio, e é operada. Desde então, passa parte de seus verões no Uruguai, cuja orla é o cenário de muitos de seus poemas ao Rio da Prata. 1937 – O suicídio de seu amigo Horacio Quiroga a surpreende e comove. Um tempo depois, será o de Leopoldo Lugones, o inimigo de toda a sua carreira literária. 1938 – Em janeiro é convocada a participar de um encontro público com suas amigas escritoras do Chile e do Uruguai, Gabriela Mistral e Juana de Ibarbourou. Ali lê sua conhecida conferência “Entre um par de valises entreabertas e o ponteiro do relógio”. Publica seu último livro, Mascarilla y trébol, com a forma experimental dos anti-sonetos. Sua saúde piora. No dia 18 de outubro viaja de trem para Mar del Plata. De lá envia o soneto “Voy a dormir” ao jornal La Nación. Se lança ao mar na madrugada do dia 25, uma terça-feira, e seu corpo é resgatado próximo à orla, horas depois. Os jornais de todo país, chocados, publicaram a notícia. Seu corpo foi enviado a Buenos Aires para ser velado no Clube Argentino de Mulheres. Entre os que compareceram ao funeral, os jornais destacaram, no grupo de seus numerosos amigos escritores, a presença de Oliverio Girondo.
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