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"...À sombra de uma cruz e escrevam nela: Ora puro e casto, carinhoso e dedicado à mãe e à irmã, ora retratado perverso como algum de seus personagens, Álvares de Azevedo é sempre motivo de controvérsia. A verdade suprema que podemos dizer sobre isso é que Álvares de Azevedo era um adolescente, e como todos os outros, arrebatado pelos impulsos e devaneios da juventude, manifestando em sua obra a contradição que talvez ele mesmo sentisse como jovem. Ainda mais importante do que a binomia de sua vida é a binomia de sua obra, que deve ser estudada com toda cautela que merece uma leitura de Álvares de Azevedo. Em quebrar moldes é especialista. Pouco menciona a pátria, e quando menciona faz críticas inflamadas, como no trecho de "Macário" em que critica as péssimas ruas de São Paulo. Geralmente menciona padres e demais religiosos como devassos, e vai mais adiante quando afirma que "nas margens e nas águas do Amazonas e do Orenoco há mais mosquitos e sezões do que inspiração", golpeando de uma só vez o nacionalismo, indianismo e religiosidade, moldes que o antecedem na 1ª fase do Romantismo. A ironia (ou terceira face de Álvares de Azevedo) também é um traço marcante em sua obra. Talvez tenha sido o primeiro poeta brasileiro a incorporar o sarcasmo e a ironia em seus versos, e o Álvares de Azevedo tão romântico outrora, agora ri-se da pieguice amorosa e da idealização do amor e da mulher como pode-se notar no poema "É Ela! É Ela! É Ela!". Quando incorpora elementos do cotidiano em seus versos, é inovador, e anuncia o que seria mais uma das constantes do Modernismo. Um aspecto característico de sua obra e que tem estimulado mais discussão, diz respeito a sua poética, que ele mesmo definiu como uma "binomia", que consiste em aproximar extremos, numa atitude tipicamente romântica. É importante salientar o prefácio à segunda parte da Lira dos Vinte Anos, um dos pontos críticos de sua obra e na qual define toda a sua poética. É o primeiro a incorporar o cotidiano na poesia no Brasil, com o poema Idéias íntimas, da segunda parte da Lira. Figura na antologia do cancioneiro nacional. E foi muito lido até as duas primeiras décadas do século XX, com constantes reedições de sua poesia e antologias. As últimas encenações de seu drama Macário, foram em 1994 e 2001. |