poeta, tradutora e ensaísta |
Ela era inquieta, lúcida, bonita. Sedutora e literária sempre, da fala ao gesto irreverente ou delicado. Biografada em tom emocionado mas perspicaz pelo também amigo e poeta Italo Moriconi, em edição da coleção Perfis do Rio, Ana virou tema de tese de mestrado, defendida há dois anos na PUC, que aborda sua obra pelo aspecto simbólico e literário do suicídio. Em linguagem ''profunda e delicada'', nos dizeres de Waldo Cesar, a autora fluminense Carla Nascimento mostra que a intimidade com a morte é própria do poeta porque seu trabalho é encená-la permanentemente pela destruição do sentido convencional, social, da palavra. Mas, em 29 de outubro daquele ano, Ana descuidou-se de que a experiência era poética. Meia hora após conversar com Armando ao telefone, driblou a atenção da empregada e do psicólogo que a assistia, correu e se atirou do sétimo andar da casa de seus pais, em Copacabana. Com o gesto, nos deixou à mercê de significados urgentes mas indecifráveis. Polissemia pura, como ela sempre queria. Fonte: Káthia Ferreira - Segredos de Ana C. |