ANTONIO GEDEÃO
(Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)

Poeta, professor e historiador
Nasceu: 24/11/1906
Lisboa - Portugal
Faleceu: 19/02/1997 em Lisboa - PT

Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudônimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a atividade de docente.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho. E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, quando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Em 1984, o lançamento de Poemas Póstumos assinala a morte de António Gedeão. O poeta morre, tal como nasceu, pelas mãos do seu criador — Rómulo de Carvalho.

"Numa noite quente, de verão, em que as vozes alegres dos quintais vizinhos entravam pela janela do meu quarto, António Gedeão, morreu, olhando o chão, sem uma palavra.
Gostei de o ver morrer, cheio de saúde, vigorosamente inútil. Envolvi-o nos olhos, aconcheguei-o e sepultei-o no esconderijo da memória.

Adeus.

Para sempre?"

RC, Memórias