Poeta |
Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira é uma erupção direta do Nordeste no Modernismo brasileiro. Seus poemas são verdadeiras rapsódias nordestinas, onde se espalha fielmente a alma ora brincalhona, ora pungente, no dizer do amigo, Manuel Bandeira. Seus poemas são fala e canto, cuja unidade das composições proclamam a autenticidade de que também é feita a Poesia. Em 1917, com apenas 22 anos de idade, numa atitude radical, o poeta inexplicavelmente resolve mudar o nome de registro de Aníbal Torres para Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira. Ascenso era o nome do avô materno e Ferreira reverencia o sobrenome da mãe. Em 1928, Ascenso trava um conhecimento pessoal com o autor de Paulicéia Desvairada e, no ano seguinte, se aproxima de vários intelectuais paulistas, como Cassiano Ricardo, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Anita Malfatti e Afonso Arinos. Com técnica erudita, alia-se à perfeita compreensão dos ritmos populares; ao humor do homem vivido e maduro, junta-se a ingenuidade e o sentimentalismo do caboclo; tudo numa conjunção espontânea de homogeneidade, bem característica desse Brasil que se funde numa harmonia de regionalismo a completar e enriquecer alguns denominadores comuns extremamente sólidos. Rica por sua musicalidade, fortalecida pela liberdade de versificação, sem recuar a rima; rítmica como a linguagem do povo, sua obra... Ou, como diria Manuel Bandeira: "quem não ouviu Ascenso dizer, cantar, declamar, rezar, cuspir, dançar, arrotar os seus poemas, não pode fazer idéia das virtualidades verbais neles contidas |