CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
☼ 08/10/1863  † 10/05/1946
SÃO LUIZ - MARANHÃO

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SOBRE O AUTOR ↓
 


CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
, poeta, músico, compositor e teatrólogo. Nasceu em 8 de outubro de 1863,  em São Luiz, Estado do Maranhão, à rua Grande, (hoje Oswaldo Cruz)  nº  66, e faleceu em 10 de Maio de 1946, no Rio de Janeiro, RJ. Filho de Amâncio José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga (natural do Maranhão). Sua infância até os 10 anos se passou em São Luiz do Maranhão.


Transferiu-se para o sertão agreste cearense onde seus avós maternos portugueses eram fazendeiros, permanecendo por lá até os 17 anos.

Em 1880 em companhia de seus pais e irmãos (Gil e Gerson) mudou-se para o Rio de Janeiro, na rua São Clemente nº  37, Botafogo. Interrompeu os estudos, em 1882, para ser cantador, no Rio de Janeiro, RJ. Já havia composto, em 1880, sua primeira modinha famosa, Ao Luar. 

Aos 19 anos interrompeu os estudos e abraçou o violão, instrumento naquela época repelido dos lares mais modestos. Iniciante tocador de flauta, a trocou  pelo violão, pois assim,  podia cantar suas modinhas. Nesse tempo passou a escrever e cantar as modinhas como, “Talento e Formosura”, “Canção do Africano”  e “Invocação a uma estrela”.

Moralizou o violão levando-o aos salões mais nobres da capital.

Catullo estudou no Colégio Teles de Meneses onde, entre outras disciplinas, aprendeu profundamente a língua francesa. Chegou a traduzir para o português as obras de diversos poetas de renome internacional.

Estudioso que era, o jovem Catullo também fundou um colégio no bairro da Piedade, Estado do Rio, passando a lecionar diversas línguas.

Em 1885 tornou-se professor de português dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira Martins. Na década de 1910 continuou trabalhando como professor. Em 1908 protagonizou audição de modinhas e violão no Instituto Nacional de Música. Compôs o primeiro poema, O Marrueiro, em 1912. Dois anos depois, fez  recital de modinhas no Palácio do Catete, convidado pelo então presidente Hermes da Fonseca e sua esposa.

Catulo foi autodidata autêntico. Suas primeiras letras foram ensinadas por sua genitora e toda sua grande cultura foi adquirida em livros que comprava e por sua franquia à Biblioteca do Senador do Império, por ser professor dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira.

“Aprendi musica, como aprendi a fazer versos, naturalmente”, dizia o Velho Marruêro.

Seu pai faleceu em 01 de agosto de 1885, desgostoso por seu filho ter abandonado os estudos para ser poeta, sem tempo de assistir a moralização do violão, o que veio a marcar tremendamente Catulo.

À medida que envelhecia mais se aprimorava. Catulo homem, não se modificava, sempre fiel ao seu estilo. “...Com  gramática ou sem gramática,  sou um grande Poeta...”

A sua casinhola em Engenho de Dentro, afundada no meio do mato era histórica. Alí recebia seus admiradores, escritores estrangeiros, acadêmicos nacionais, sempre com banquetes de feijoada e o champagne nunca substituía o paratí, por mais ilustre que fosse o visitante. As paredes divisórias eram lençóis e sempre que previa a presença de pessoas importantes, dizia para a mulata transformada em dona de casa: “Cabocla, lave as paredes amanhã, que Domingo vem gente!”.

Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Francisco Braga e outros. Como intérprete, o maior tenor do Brasil, Vicente Celestino.

Catulo morreu aos 83 anos de idade, em 10 de maio de 1946, à rua Francisca Meyer nº 78, casa 2. Seu corpo foi embalsamado e exposto a visitação pública até 13 de maio, quando desceu à sepultura no cemitério São Francisco de Paula, no Largo do Catumbí, ao som de “Luar do Sertão”.


BIBLIOGRAFIA

15 Livros de Poemas:

O Milagre de São João : poema-teatral musicado,1943
Um Caboclo Brasileiro, 1900

Poemas Bravios, 1921
Fábulas e Alegorias, 1934
Um Boêmio no Céu, 1938
A Lua e o Sol, 1939
Modinhas, 1943
Meu Sertão, 1918
Sertão em Flor, 1919
Mata Iluminada, 1923
Poemas Escolhidos, 1944
Aos Pescadores, 1923
Meu Brasil, 1928
Um boêmio no céu, 1928
Alma do sertão, 1928

Obras teatrais:
O Marroeiro

Flor da Santidade
Um Boêmio no Céu


CANCIONEIRO

Canções e poemas musicados
A choça do monte

Adeus da manhã
Adoráveis tormentos (c/ Fernando de Azevedo)
Ainda assim (c/ José Belisário Santana)
Ao desfraldar da vela (c/ Luís de Souza)
Ao luar
Aos pé da cruz (c/ Cremieux)

Arrufos
Até as flores mentem
Aventura caipora
Bem-te-vi
Cabocla bonita
Cabôcla di Caxangá (c/ João Pernambuco)
Canção do cego
Chico Mironga no casamento do seu Zé Pinhê
Choça ao monte Clélia (c/ Luís de Souza)
Como eu te amo
Efeito do maxixe
Elegia (c/ Villa-Lobos)
Eulina
Fascinação por teus olhos (c/ Cupertino de Menezes)
Fechei meu jardim
Flor amorosa (c/ Joaquim Antônio da Silva Calado)
Horas melancólicas (c/ Bonfíglio de Oliveira)
Improviso
Lágrimas sonoras
Lolita (c/ Fernando de Azevedo)
Luar do sertão (c/ João Pernambuco)
Magnólia (c/ Waldteufel)
Maria cabocla
Não partas
No sertão
O adeus da manhã (c/ Emili Pessard)
O boêmio (c/ Anacleto de Medeiros)
O eco
O marroeiro
O meu ideal (c/ Irineu de Almeida)
O que tu és (c/ Anacleto de Medeiros)
O sertanejo enamorado
O teu pé
Ondas
Ontem, ao luar (c/ Pedro de Alcântara)
Os dois violeiros
Os olhos dela (c/ Irineu de Almeida)
Ouvindo as ondas (c/ Feire Júnior)
Palma de martírio (c/ Anacleto de Medeiros)
Pastor peregrino
Por que eu fui poeta (c/ juca Kalut)
Por um beijo (c/ Anacleto de Medeiros)
Porque sorris (Sorrir dormindo) (c/ Juca Kalut)
Quebrei a jura (c/ P. Guerra)
Quem foi meu pai
Rasga o coração (c/ Anacleto de Medeiros)
Recorda-te de mim
Sertaneja
Sobre uma campa
Talento e formosura (c/ Edmundo Octavio Ferreira)
Templo ideal
Tu és o meu penar
Tu passaste por este jardim
Um poeta do sertão
Vai, ó meu amor, ao campo santo (c/ Irineu de Almeida)
Você não me dá

Discografia
ant. 1960 - Catullo • RCA Victor • 33/10 pol.

195? - Luar do Serão • Sinter • 33/10 pol.
195? - "Catullo, o poeta do sertão" • Sinter • LP
1978 - Catulo da Paixão - Cândido das Neves (Índio) • Abril Cultural • 33/10 pol.
1971 - Cândido das Neves - Catulo da Paixão Cearense • RCA/Abril Cultural • 33/10 pol.

Comentaram pró Catulo personalidades como: Julio Dantas, Ruy Barbosa, Machado de Assis,  Clóvis Beviláqua, Francisco Braga, Humberto de Campos, Monteiro Lobato, Ignácio Raposo, Heitor Vila Lobos, Assis Chateaubriand, Bastos Tigre, Amoroso Lima, João Barros, Roquete Pinto, Pedro Lessa, Mário de Andrade e outros.
(Referências de Guimarães Martins).


SOBRE O AUTOR

Catulo da Paixão Cearense foi um dos poucos, talvez o único, poeta popular no Brasil que, em vida, recebeu todas as glórias, todas as honras e uma adoração popular tão grande. Isso porque usou e abusou de toda a sonoridade que o sotaque nordestino lhe proporcionou, soube colocar em versos simples onde era o lugar de por versos simples. Tinha faro. Sabia ouvir, como ninguém mais, o rumor da terra.

O cancioneiro de Catulo, com letras que exprimem a ingenuidade e pureza do caboclo, cativou a sensibilidade do povo e levou Mário de Andrade a classificar o autor como "o maior criador de imagens da poesia brasileira".

Dele disse Ruy Barbosa: "Concordo sem reservas com o Sr. Julio Dantas no seu alto juízo acerca de Catullo Cearense, maravilhoso poeta, cujos versos de um encanto irresistível, são o mais belo documento da natureza e da vida nos sertões brasileiros, que a sua musa enfeitiça e parece recriar" - Petrópolis, 28/02/1921

Catullo de Paixão Cearense é um dos maiores compositores da canção popular brasileira. Segundo o crítico  Murilo Araújo, "a poesia de Catullo tem raízes no povo e haveria de voltar, desfeita em flores e frutos, ao campo em que teve origem: volta ao povo e viverá com ele. Nenhum dos nossos poetas foi a tal ponto o rumor inspirado da terra".

O presidente pede silêncio aos convidados. Não quer perder um só verso do poeta e cantor, que o povo adora. Presidente: Nilo Peçanha. Cantor: Catulo da Paixão Cearense. Estamos na primeira década do século 20 e Catulo conseguiu o impossível: levar o violão, instrumento "de malandro", para o salão-mor das elites, o Palácio do Catete.

 

Fontes:
Silsonmar da Rocha Costa
Revista Agulha
Itaú Cultural


 
     
   
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