GREGÓRIO DE MATOS
(Gregório de Matos Guerra)

Cognome:  Boca do Inferno ou Boca de Brasa
Poeta e advogado
Nasceu: 23 de Dezembro de 1636 1
Local: Salvador -BA
Faleceu: 26 de Novembro de 1696 (59 anos)
Local: Recife - PE
É o patrono da Cadeira n. 16 da Academia Brasileira de Letras (ABL)

 

A obra atribuída a Gregório de Matos contém mais de 700 textos. Reúne poemas líricos, satíricos, eróticos, religiosos, encomiásticos (laudatórios), entre outros, utilizando grande variedade de ritmos e de rimas. Com exceção da épica, não há gênero ou estilo poético que não tenha praticado.


Mas é na sátira que a poesia de Matos é mais conhecida e celebrada. Utilizando-se de pitorescos jogos de palavras e de grande malabarismo verbal, realiza uma crítica irreverente aos costumes da Bahia colonial, que recebe, em seus poemas, o carinhoso tratamento de Senhora Dona Bahia. Não poupa governadores corruptos, freiras, e padres pervertidos.

A produção lírica de Gregório de Matos é marcada por imagens de grande sensualidade, nas quais exalta as mulheres brancas, negras e mulatas da Bahia.

A obra lírica do poeta atinge momentos da mais alta poesia - até mesmo superior à satírica - quando explora, com grande refinamento verbal, as tensões próprias do barroco. Já a poesia religiosa revela um forte sentido de pecado, aliado a uma busca de pureza e de perdão.

Uma avaliação criteriosa de toda essa rica produção poética, no entanto, permanece sendo um desafio para críticos e estudiosos, e não cessa de gerar polêmica. Tudo o que, correta ou incorretamente, está reunido em seu nome é motivo de suspeita, já que, até prova em contrário, jamais foi encontrado sequer um manuscrito produzido por seu próprio punho.

Mas é na tradição oral da Bahia que os versos de Matos ficam de fato guardados, até serem reunidos, pela primeira vez, pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto-Seguro, no livro Florilégio da Poesia Brasileira, de 1850, editado em Lisboa.

Os equívocos permanecem ainda. Estudiosos da obra acalentam a ideia de que sua poesia possa, um dia, ser resgatada integralmente, livre das impurezas dos poemas apócrifos que lhe são agregados. Outros pretendem esvaziá-la dos inúmeros plágios que lhe são atribuídos.

Tarefas impossíveis, todas elas, pois, na época as categorias de autoria, de plágio, ou de originalidade, tal como são conhecidas hoje, ainda não estão constituídas.

Outro equívoco, apontado por João Adolfo Hansen, está no caráter transgressivo e revolucionário atribuído à obra do escritor. No século XVII, a sátira não está, de modo algum, em desacordo com a moral. A crítica retórica e poética dos costumes é feita para corrigir excessos e desvios, e obedece a regras estritas. Nelas, até mesmo a obscenidade e a maledicência estão previstas. Um autor como Gregório de Matos só pode ser lido e compreendido a partir de seu tempo, e das convenções estéticas que o produziram, embora permaneça atual o desafio crítico que sua obra propõe.

Gregório de Matos foi o maior nome do Barroco brasileiro. A sua obra tinha um cunho bastante satírico e moderno para a época, além de chocar pelo teor erótico, de alguns de seus versos, ganhando, por isso, o apelido de Boca do Inferno.

Em uma de suas sátiras ofendeu o governador da Bahia – Antonio Luis da Câmara Coutinho – e foi preso e exilado para Angola. Teve autorização para voltar para o país (mas não para a Bahia), foi para Recife e morreu em 1696.
Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebe a permissão de voltar ao Brasil, ainda que não possa voltar à Bahia. Morreu em Recife aos 59 anos, com uma febre contraída em Angola.



NOTAS:
1. Por haver divergências a respeito da data de nascimento de Gregório de Matos, é adotado a utilizada pelo pesquisador Fernando da Rocha Peres, no livro de sua autoria Gregório de Mattos e Guerra: Uma Re-visão Biográfica e em nota biográfica publicada no site da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

2. Devido à condição financeira de sua família, Gregório teve acesso ao que havia de melhor em educação na época e pôde estudar no Colégio dos Jesuítas, em Salvador.

3. Casou-se e pouco tempo depois abandonou a mulher e a carreira de advogado para ser repentista no Recôncavo Baiano.

4. Vendeu as terras que recebera de herança e, segundo consta, guardou o dinheiro num saco no canto da casa, gastando-o à vontade e sem fazer economia. Ao mesmo tempo, tratou de exercer a advocacia, escrevendo argumentações judiciais em versos.

5. A certa altura, resolveu abandonar tudo e saiu pelo Recôncavo como cantador itinerante, convivendo com o povo, frequentando as festas populares, banqueteando-se sempre que convidado. É nessa época que se avoluma a sua obra satírica (inclusive erótico-obscena) que iria lhe valer o apelido de "Boca do Inferno". Mas foi a crítica política à corrupção e o arremedo aos fidalgos locais que resultaram na sua deportação para Angola.

6. A obra de Gregório de Matos foi publicada pela Academia Brasileira de Letras cerca de 230 anos depois da sua morte. Por causa disso, muitos de seus poemas se perderam e muitos textos que levam o seu nome são de autoria duvidosa, já que Gregório de Matos teve muitos imitadores anônimos.

 

Fontes:
• Wikipédia
link > http://goo.gl/axAVf
• Memória Viva
link > http://goo.gl/mWihz
• Enciclopédia da Literatura Brasileira
link > http://goo.gl/RUxYJ
• Academia Brasileira de Letras
link > http://goo.gl/UtfXA

 
     
   
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