GREGÓRIO DE MATOS
☼ 23/12/16361  † 26/11/1696
SALVADOR ─ BAHIA

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SOBRE O AUTOR ↓
 
 

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (Gregório de Matos), poeta e advogado. Nasceu em 23 de Dezembro de 16361, em Salvador -BA e faleceu em 26 de Novembro de 1696 em Recife - PE, aos 59 anos.

Por suas sátiras ganhou a alcunha de Boca do Inferno ou Boca de Brasa.

Foram seus pais Gregório de Matos, fidalgo da série dos Escudeiros, do Minho, Portugal, e Maria da Guerra, respeitável matrona.

Estudou Humanidades no Colégio dos Jesuítas, em Salvador  e depois transferiu-se para Coimbra, Portugal, em 1650, onde se formou em estudos jurídicos, no ano de 1661. Sua tese de doutoramento, toda ela escrita em latim, encontra-se na Biblioteca Nacional. Segue a carreira de magistrado e, a partir de 1672, representa a Bahia na corte portuguesa. Em 1674, propõe a criação de uma universidade em sua cidade de origem. Nesse mesmo ano perde o cargo, ao recusar o papel de inquisidor dos crimes do governador do Rio de Janeiro.

Exerceu em Portugal os cargos de curador de órfãos e de juiz criminal e lá escreveu o poema satírico Marinícolas. Na Corte portuguesa, envolveu-se na vida literária que deixava o maneirismo camoniano e atingia o barroco, seguindo as influências espanholas de Gôngora e Quevedo. Por essa ocasião, teria também casado e tido acesso ao rei D. Pedro II, de quem ganhou simpatia e favores.

Sua sorte, porém, mudou bruscamente. Enviuvou e caiu em desgraça com o rei, segundo alguns biógrafos, por intriga de alguém ridicularizado num dos seus poemas satíricos. Acabou regressando ao Brasil em 1681, aos 47 anos de idade. Na Bahia, recebeu do primeiro arcebispo, D. Gaspar Barata, os cargos de vigário-geral (só com ordens menores) e de tesoureiro-mor, mas foi deposto por não querer completar as ordens eclesiásticas. Indispõe-se rapidamente com as autoridades religiosas, entre outras razões, por recusar-se a usar batina. Passa a levar vida boêmia e desregrada, compondo versos satíricos contra as autoridades e os costumes, além de uma poesia erótica e amorosa, que lhe vale o apelido de Boca do Inferno.

Apaixonou-se pela viúva Maria de Povos, com quem passou a viver, com prodigalidade. Vendeu as terras que recebera de herança e, segundo consta, guardou o dinheiro num saco no canto da casa, gastando-o à vontade e sem fazer economia, até ficar reduzido à miséria. Ao mesmo tempo, tratou de exercer a advocacia, escrevendo argumentações judiciais em versos.

A certa altura, resolveu abandonar tudo e saiu pelo Recôncavo como cantador itinerante, convivendo com o povo, frequentando as festas populares, banqueteando-se sempre que convidado. É nessa época que se avoluma a sua obra satírica (inclusive erótico-obscena) que iria lhe valer o apelido de "Boca do Inferno". Mas foi a crítica política à corrupção e o arremedo aos fidalgos locais que resultaram na sua deportação para Angola.

Como poeta de inesgotável fonte satírica não poupava ao governo, à falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. Não lhe escaparam os padres corruptos, os reinóis e degredados, os mulatos e emboabas, os “caramurus”, os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautêntica, exploradora da colônia. Perigoso e mordaz, apelidaram-no de “O Boca do Inferno” e "Boca de Brasa".

Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social. Influenciado pelos mestres espanhóis da Época de Ouro: Góngora, Quevedo, Gracián, Calderón. Sua poesia é a maior expressão do Barroco literário brasileiro, no lirismo. Sua obra compreende: poesia lírica, sacra, satírica e erótica. Ao seu tempo a imprensa estava oficialmente proibida. Suas poesias corriam em manuscritos, de mão em mão, e o Governador da Bahia D. João de Alencastre, que tanto admirava “as valentias desta musa”, coligia os versos de Gregório e os fazia transcrever em livros especiais. Ficaram também cópias feitas por admiradores, como Manuel Pereira Rabelo, biógrafo do poeta. Por isso é temerário afirmar que toda a obra a ele atribuída haja sido realmente de sua autoria. Entre os melhores códices e os mais completos, destacam-se o que se encontra na Biblioteca Nacional e o de Varnhagen no Palácio Itamarati.

Denunciado ao Tribunal do Santo Ofício de Lisboa ─ Inquisição ─, em 1685, sob a acusação de dirigir ofensas a Jesus Cristo, e de não tirar o barrete na passagem da procissão, tem seu processo anulado, provavelmente devido a influências familiares. Em 1694, para livrar-se da prisão, uma vez mais, é deportado para Angola, pelo governador da Bahia, D. João de Alencastre, de quem é amigo, que primeiro queria protegê-lo, teve afinal de mandá-lo degredado para Angola, a fim de o afastar da vingança de um sobrinho de seu antecessor, Antônio Luís da Câmara Coutinho, por causa das sátiras que sofrera o tio. Chegou a partir para o desterro, e advogava em Luanda, mas pôde voltar ao Brasil para prestar algum serviço ao Governador. Estabelecendo-se em Pernambuco, ali conseguiu fazer-se mais querido do que na Bahia, até que faleceu, reconciliado como bom cristão, em 1696.

Morreu em Recife aos 59 anos, com uma febre contraída em Angola.

A vida de Gregório de  Matos permanece envolta em lendas e mistérios dificilmente decifráveis. Algumas datas ─ até mesmo as do seu nascimento e morte ─ são contestadas, assim como determinados acontecimentos que constam de sua biografia, e lhe conferem uma aura de herói nacionalista, comprometido com causas libertárias. Mesmo em sua obra, é difícil discernir os versos de sua autoria dos que lhe são atribuídos.

A obra de Gregório de Matos foi publicada pela Academia Brasileira de Letras cerca de 230 anos depois da sua morte. Por causa disso, muitos de seus poemas se perderam e muitos textos que levam o seu nome são de autoria duvidosa, já que Gregório de Matos teve muitos imitadores anônimos.

É o patrono da Cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras.


BIBLIOGRAFIA

Obras de Gregório de Matos, 1923-1933
Vol. I, Sacra
Vol. II, Lírica
Vol. III, Graciosa
Vols. IV e V, Satírica
Vol. VI, Última
Obras Completas de Gregório de Matos, 7 vols, 1968
Gregório de Matos - Obras Completas, 1945


CRONOLOGIA

1636 – A data comumente aceita para o nascimento de Gregório de Mattos e Guerra é a de 23 de dezembro de 1636, mas alguns biógrafos podem apresentar a possibilidade de ter ocorrido em março de 1623. O poeta nasceu em Salvador, Bahia, e era filho de Gregório de Mattos (natural de Guimarães, Portugal) com Maria da Guerra. Os Mattos da Bahia eram uma família abastada, formada por proprietários rurais, donos de engenhos, empreiteiros e funcionários da administração da colônia.

1642 – Devido à condição financeira de sua família, Gregório teve acesso ao que havia de melhor em educação na época e pôde estudar no Colégio dos Jesuítas, em Salvador.

1650 – Viaja para Portugal, onde irá completar seus estudos.

1652 – Ingressa na Universidade de Coimbra.

1661 – Formatura em Direito. Nesse mesmo ano, casa-se com D. Michaela de Andrade, proveniente de uma família de magistrados.

1663 – É nomeado Juiz de Fora de Alcácer do Sal, Alentejo, por D. Afonso VI.

1665-66 – Exerce a função de Provedor da Santa Casa de Misericórdia no mesmo local.

1668 – No dia 27 de janeiro é investido da incumbência de representar a Bahia nas Cortes, em Lisboa.

1671 – Assume o cargo de Juiz do Cível, em Lisboa.

1672 – Torna-se Procurador da Bahia em Lisboa por indicação do Senado da Câmara.

1674 – Novamente representante da Bahia nas Cortes, em Lisboa. Nesse mesmo ano, é destituído da Procuradoria da Bahia e batiza uma filha natural, chamada Francisca, na Freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa.

1678 – Fica viúvo de D. Michaela com quem sabe-se que teve um filho do qual não há registros históricos.

1679 – É nomeado Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia.

1681 – Recebe as Ordens Menores, tornando-se clérigo tonsurado.

1682 – É nomeado Tesoureiro-Mor da Sé, por D. Pedro II. Como magistrado de renome, tem sentenças de sua autoria publicadas pelo jurisconsulto Emanuel Alvarez Pegas. Isto viria a acontecer novamente em 1685.

1683 – No início do ano, depois de 32 anos em Portugal, está de volta a Bahia, Brasil. Meses após seu retorno, é destituído de seus cargos eclesiásticos pelo Arcebispo D. Fr. João da Madre de Deus, por se recusar a usar batina e também por não acatar a imposição das Ordens maiores obrigatórias para o exercício de suas funções. É nessa época que surge o poeta satírico, o cronista dos costumes de toda a sociedade baiana. Ridiculariza impiedosamente autoridades civis e religiosas.

1685 – É denunciado à Inquisição, em Lisboa, por seus hábitos de “homem solto sem modo de cristão”.

168(?) – Ainda na década de 1680, casa-se com Maria de Póvoas (ou “dos Povos”). Desta união, nasce um filho chamado Gonçalo.

1691 – É admitido como Irmão da Santa Casa de Misericórdia da Bahia.

1692 – Paga uma dívida em dinheiro à Santa Casa de Lisboa.

1694 – Seus poemas satíricos contra o Governador Antonio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho faz com os filhos deste o ameacem de morte. O Governador João de Alencastro, amigo de Gregório, e outros companheiros do poeta armam uma forma de prendê-lo e enviá-lo à força para Angola, sem direito a voltar para a Bahia. Isto causa profundo desgosto a Gregório. Ainda nesse mesmo ano, envolve-se em uma conspiração de militares portugueses. Interferindo neste conflito, Gregório colabora com a prisão dos cabeças da revolta e tem como prêmio seu retorno ao Brasil.
1695 – Retorna para o Brasil e vai para o Recife, longe de seus desafetos na Bahia. Morre no dia 26 de novembro, antes de completar 59 anos, de uma febre contraída em Angola.


SOBRE O AUTOR

A obra atribuída a Gregório de Matos contém mais de 700 textos. Reúne poemas líricos, satíricos, eróticos, religiosos, encomiásticos (laudatórios), entre outros, utilizando grande variedade de ritmos e de rimas. Com exceção da épica, não há gênero ou estilo poético que não tenha praticado.

Mas é na sátira que a poesia de Matos é mais conhecida e celebrada. Utilizando-se de pitorescos jogos de palavras e de grande malabarismo verbal, realiza uma crítica irreverente aos costumes da Bahia colonial, que recebe, em seus poemas, o carinhoso tratamento de Senhora Dona Bahia. Não poupa governadores corruptos, freiras, e padres pervertidos.

A produção lírica de Gregório de Matos é marcada por imagens de grande sensualidade, nas quais exalta as mulheres brancas, negras e mulatas da Bahia.

A obra lírica do poeta atinge momentos da mais alta poesia ─ até mesmo superior à satírica ─ quando explora, com grande refinamento verbal, as tensões próprias do barroco. Já a poesia religiosa revela um forte sentido de pecado, aliado a uma busca de pureza e de perdão.

Uma avaliação criteriosa de toda essa rica produção poética, no entanto, permanece sendo um desafio para críticos e estudiosos, e não cessa de gerar polêmica. Tudo o que, correta ou incorretamente, está reunido em seu nome é motivo de suspeita, já que, até prova em contrário, jamais foi encontrado sequer um manuscrito produzido por seu próprio punho.

Mas é na tradição oral da Bahia que os versos de Matos ficam de fato guardados, até serem reunidos, pela primeira vez, pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto-Seguro, no livro Florilégio da Poesia Brasileira, de 1850, editado em Lisboa.

Os equívocos permanecem ainda. Estudiosos da obra acalentam a ideia de que sua poesia possa, um dia, ser resgatada integralmente, livre das impurezas dos poemas apócrifos que lhe são agregados. Outros pretendem esvaziá-la dos inúmeros plágios que lhe são atribuídos.

Tarefas impossíveis, todas elas, pois, na época as categorias de autoria, de plágio, ou de originalidade, tal como são conhecidas hoje, ainda não estão constituídas.

Outro equívoco, apontado por João Adolfo Hansen, está no caráter transgressivo e revolucionário atribuído à obra do escritor. No século XVII, a sátira não está, de modo algum, em desacordo com a moral. A crítica retórica e poética dos costumes é feita para corrigir excessos e desvios, e obedece a regras estritas. Nelas, até mesmo a obscenidade e a maledicência estão previstas. Um autor como Gregório de Matos só pode ser lido e compreendido a partir de seu tempo, e das convenções estéticas que o produziram, embora permaneça atual o desafio crítico que sua obra propõe.

Gregório de Matos foi o maior nome do Barroco brasileiro. A sua obra tinha um cunho bastante satírico e moderno para a época, além de chocar pelo teor erótico, de alguns de seus versos, ganhando, por isso, o apelido de Boca do Inferno.

Em uma de suas sátiras ofendeu o governador da Bahia ─ Antonio Luis da Câmara Coutinho ─ e foi preso e exilado para Angola. Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebe a permissão de voltar ao Brasil, ainda que não possa voltar à Bahia.



NOTA:
1. Por haver divergências a respeito da data de nascimento de Gregório de Matos, é adotado a utilizada pelo pesquisador Fernando da Rocha Peres, no livro de sua autoria Gregório de Mattos e Guerra: Uma Re-visão Biográfica e em nota biográfica publicada no site da Universidade Federal da Bahia (UFBA).


FONTES:
• Wikipédia
link > http://goo.gl/axAVf
• Memória Viva
link > http://goo.gl/mWihz
• Enciclopédia da Literatura Brasileira
link > http://goo.gl/RUxYJ
• Academia Brasileira de Letras
link > http://goo.gl/UtfXA


 
     
   
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