HENRIQUETA LISBOA
☼ 15/07/1901 - Lambari, MG
 † 09/10/1985 - Belo Horizonte,

• SOBRE A AUTORA


HENRIQUETA LISBOA, poeta, tradutora e ensaísta. Nasceu em Lambari, MG, em 15 de julho de 1901 e faleceu em Belo Horizonte, em 9 de outubro de 1985, aos 84 anos.

Filha de João de Almeida Lisboa, deputado federal, e de Maria Rita Vilhena Lisboa. Além de poeta, tradutora e ensaísta foi, ainda, docente de literaturas hispano-americana e brasileira e de literatura geral. Fez o curso normal no Colégio Sion em Campanha, MG.

Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1924. Seu primeiro livro de poemas, publicado em 1925, intitulava-se Fogo fátuo, de tendência simbolista, traço marcante de sua obra até a década de 1940.

Sua extensa produção intelectual é composta por ensaios literários, traduções, organização de antologias de poesias. Colaborou com várias revistas editadas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre as quais O Malho, Revista da Semana, A Manhã, O Jornal, com a revista Kosmos e com a revista Festa ao lado de Gilka Machado e Cecília Meireles. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Entre 1940 e 1945 manteve com o escritor Mário de Andrade, uma vasta correspondência, onde discutiam temas pessoais e literários.

Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras em 1963, onde ocupou a cadeira de nº 26. Sua poesia tornou-se conhecida no exterior, sendo traduzida em várias línguas, como o francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e latim. Henriqueta Lisboa traduziu obras de Dante, Guillén, Gabriela Mistral, entre outros.

Para as crianças, Henriqueta dedicou três obras: O menino poeta (1943), Lírica (1958) e a reedição de O menino poeta, em 1975. Este último livro foi lançado em disco, pelo Estúdio Eldorado.

Henriqueta traduziu os famosos Cantos de Dante Alighieri.

Henriqueta faleceu em Belo Horizonte, no dia 9 de outubro de 1985. Seu Centenário foi comemorado ao longo do ano de 2002 e, além de inúmeros eventos culturais em sua homenagem, várias reedições de sua obra foram feitas com o objetivo de revelar a força de sua poesia para os jovens de hoje.


BIBLIOGRAFIA


Fogo-Fátuo, 1925
Enternecimento, 1929
Velário, 1936
Prisioneira da Noite, 1941
O menino poeta, 1943
A Face Lívida, 1945
Flor da Morte, 1949
Madrinha lua, 1952
Azul profundo, 1955
Poemas, 1951
Azul Profundo, 1956
Lírica, 1958
Montanha viva, 1959
Além da imagem, 1963
Nova lírica, 1971
Belo Horizonte bem querer, 1972
O alvo humano, 1973
Reverberações, 1976
Miradouro e outros poemas, 1976
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra, 1977
Pousada do Ser, 1982
Poesia geral, 1985
Presença de Henriqueta Lisboa, 1992


PRÊMIOS

1931, Prêmio de Poesia Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras pelo livro Enternecimento;
1952, a Câmara Brasileira do Livro premiou seu livro infantil Madrinha lua;
pelo conjunto de sua obra obteve três prêmios:
1955, a Medalha da Inconfidência de Minas Gerais;
1971, o Prêmio Brasília de Literatura;
1984, Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.


SOBRE A AUTORA

Poeta sensível, dedicou sua vida à poesia. Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica especializada, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e angariou muitos leitores ilustres durante sua vida, dentre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral.

Sobre sua poesia, Drummond nos deixou o seguinte testemunho: “Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por este tímido e esquivo poeta.”

Henriqueta Lisboa é autora de uma das obras poéticas mais representativas do século XX. Poeta de produção regular, publicou quase 20 livros de poesia entre 1925 e 1977. Sua produção também inclui ensaios, conferências e traduções.

Menos conhecida que sua companheira de geração Cecília, Henriqueta desenvolveu uma poesia que tem pontos de contato com a de Cecília.

Henriqueta merece referência, ainda, por um importante aspecto de pioneirismo: entre os autores modernos, ela foi um dos primeiros a escrever poesia para crianças no Brasil.

Surgindo no decênio da Semana de Arte Moderna, Henriqueta marcou o seu lugar, em nossas letras, num tom que tanto se distanciou da objetividade realista quanto da musicalidade ultra-simbolista e das tropelias lúdicas do Modernismo. Vinha para descobrir pouco a pouco o seu próprio caminho. Só. Figura solitária. Sua poesia confunde-se com o afã de tangenciar o indizível, de ultrapassar os limites léxico-semânticos da palavra e, afinal, como queria Rilke, de penetrar a essência da poesia. Por isso nos comove tanto, sem recorrer a qualquer artifício sentimental. Sentimos que seus versos são a secreção de uma vida e não apenas um devaneio caprichoso. As palavras vêm para ela, como se não fossem símbolos ou arquétipos, valores ou sinais, mas as próprias coisas, os próprios sentimentos, as próprias sensações. É perfeição de natureza ascética, adquirida à força de difíceis exercícios espirituais, de rigorosa economia vocabular. Atingiu-se o momento em que a poesia se oferece, direta e simples, mas de uma simplicidade que significa paradoxalmente maior complexidade e riqueza interior. Henriqueta Lisboa é dos maiores poetas em língua portuguesa.1

1. Esse “arranjo crítico” foi feito com frases de Guilhermino César, Ivan Junqueira, Carlos Drummond de Andrade, João Gaspar Simões, Manuel Bandeira, Alphonsus de Guimaraens Filho e Otto Maria Carpeaux sobre a obra de Henriqueta Lisboa


FONTES:
Wikipédia
goo.gl/0y4xz
Virtual Books
goo.gl/CXhKA
Carlos Machado
goo.gl/9YtpW