ALBERTO DA CUNHA MELO
☼ 08/04/1972 - Jaboatão dos Guararapes, PE
 † 13/10/2007 - Recife, PE

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• SOBRE O AUTOR

• NOTAS E LINKS


JOSÉ ALBERTO TAVARES DA CUNHA MELO, poeta, escritor, jornalista e sociólogo. Nasceu em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, em 08 de Abril de 1942. Filho de Benedito Cunha Melo e Maria José Veloso de Melo, e neto de Alberto Tavares da Cunha Melo. Neto e filho de poetas.

Pertence à Geração 65 de poetas pernambucanos. Seu primeiro livro — Circulo cósmico — foi publicado em 1966, ano em que o historiador Tadeu Rocha rotulava de Geração de 65 o grupo de poetas surgidos das páginas do Diário de Pernambuco.

Na década de 1990 seus poemas saem das fronteiras de Pernambuco e ganham o Brasil e o exterior com o livro Yacala, lançado na Universidade de Évora, em Portugal, com prefácio do crítico literário e professor da Universidade de São Paulo Alfredo Bosi.

O livro Meditação sob os Lajedos, (EDUFRN e Ed. BAGAÇO) ,depois inserido no livro Dois Caminhos e uma Oração (A Girafa Editora), foi considerado um dos dez melhores livros publicados no Brasil em 2002, por um júri de 400 especialistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, em sua primeira versão 2003.

Em 2006, Alberto da Cunha Melo publicou pela A Girafa Editora, o livro O Cão de Olhos Amarelos & Outros Poemas Inéditos, uma edição comemorativa dos seus 40 anos de poesia, que foi escolhido pela Academia Brasileira de Letras, em 2007, como o melhor livro de poesia publicado no ano de 2006, no Brasil, recebendo assim o Prêmio de Poesia 2007 da Academia Brasileira De Letras.

Por duas vezes, foi Diretor de Assuntos Culturais da FUNDARPE - Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (1979/l980 e l987 a l989). Onde apoiou as iniciativas de produtores culturais com vistas à sua organização social, como foi o caso da Associação dos Artistas Plásticos de Pernambuco. Na segunda administração desenvolveu projetos onde colocou a arte à serviço da Saúde como no Arte-Saúde, que deu ao Estado de Pernambuco um dos melhores índices de vacinação de sua história. Admirador incondicional da poesia popular reeditou o Congresso de Cantadores do Recife, em duas edições: 1987 e 1988, no Teatro de Santa Isabel, em 1988.

De 1980 a 1981, foi Gerente de Bem-Estar Social do SESC - Delegacia do Estado do Acre, exercendo a função de sociólogo/pesquisador da Comissão Estadual de Planejamento Agrícola. No Acre publicou alguns dos seus trabalhos científicos.

Como sociólogo, atuou durante onze anos na pesquisa social, na FUNDAJ - Fundação Joaquim Nabuco.

Dedicou-se também ao jornalismo, destacando-se como editor do "Commercio Cultural", entre os anos de 1982 a 1985, no Jornal do Commercio. Foi também editor da revista Pasárgada, (FUNDARPE/CEPE - nos anos de 1994/1995). Foi colaborador (1998 a 1999) da coluna "Arte pela Arte", do Jornal da Tarde (SP). De dezembro de 2000 até novembro de 2007, manteve a coluna MARCO ZERO, da revista Continente Multicultural (CEPE - PE).

Publicou 17 livros, 14 de poesia, e participou de 32 antologias, duas delas internacionais (NOR destinos. Coletânea do Nordeste Brasileiro. Lisboa: Editorial Fragmentos, 1994, p. 18-19. Poésie du Brésil. Paris: Vericuetos, 1997, p. 34-37, edição bilíngue, português – francês, e três de edição com distribuição nacional (Os cem melhores poetas brasileiros do século XX. São Paulo: Geração Editorial, 2001, p. 195-196, organizada por José Nêumanne Pinto. 100 Anos de Poesia. Um panorama da poesia brasileira no século XX. Rio, O Verso, 2001, v. II, p. 70-71, organizada por Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. O Clarim e a Oração. Cem Anos de Os Sertões. São Paulo: Geração Editorial, 2002, p. 129-134, organizada por Rinaldo de Fernandes).

Alberto da Cunha Melo completou no ano de 2006, 40 anos de trabalho poético ininterruptos.

Faleceu no início da noite de 13 de outubro de 2007.


BIBLIOGRAFIA [topo]

Poesia
• Círculo Cósmico. Recife: UFPE, 1966.
Oração pelo Poema. Recife: UFPE, 1969.
Publicação do Corpo. In: Quíntuplo. Recife, Aquário/UM, 1974.
Dez Poemas Políticos. Recife, Pirata, 1979.
Noticiário. Recife: Edições Pirata, 1979.
Poemas à Mão Livre. Recife: Edições Pirata, 1981.
Soma dos Sumos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983.
Poemas Anteriores. Recife: Bagaço, 1989.
Clau. Recife: Imprensa Universitária da UFRPE, 1992.
A Rural também Ensina a Semear a Poesia. Recife: ed. Livro 7, 1992; folheto de cordel – divulgação do lançamento do livro Clau.
Carne de Terceira com Poemas a Mão Livre. Recife: Bagaço, 1996.
Yacala. Recife: edição do autor, 1999, impresso na Gráfica Olinda.
Yacala. Natal: EDUFRN, 2000, edição fac-similar, prefácio de Alfredo Bosi.
Meditação sob os Lajedos. Natal/Recife: EDUFRN, 2002.
Dois caminhos e uma oração. São Paulo: A Girafa, 2003.
O cão de olhos amarelos & Outros poemas inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006.
Cantos de Contar. Recife: Paes, 2012. Edição comemorativa do aniversário de 70 anos.
XX Poemas de Alberto da Cunha Melo numa versão inesperada de Celina Portocarrero, 2017. Rio de Janeiro: Ibis Libris Editora
• Poesia Completa de Alberto da Cunha Melo, 2017. Editora Record

Poesia traduzida
Orazione per il Poema. Tradução de Katia de Abreu Chulata. Itália: BESA, 2012. Edição bilíngue.

Prosa
Marco Zero: Crônica. Recife: CEPE, 2009.


PRÊMIOS E HOMENAGENS [topo]

2003: 4º lugar no Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, hoje Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, com o livro "Meditação sob os Lajedos", 2002).
2007: 1º lugar no Prêmio ABL (Academia Brasileira de Letras) de Poesia, com o livro "O Cão de Olhos Amarelos & Outros Poemas Inéditos", 2006.

Troféu do III Savoyar – Escritor destaque do Ano – Bar Savoy – fevereiro 2002.
Diploma Mauro Mota – Escritor do Ano - Conselho Estadual de Cultura – março 2002.
Homenagem 60 Anos - Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes – abril 2002.
Medalha Gilberto Freyre - União Brasileira de Escritores – Secção Pernambuco – julho 2002.
Medalha do Sesquicentenário - Biblioteca Pública Estadual – agosto 2002.
Comenda Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira (post mortem) - Recife, Pernambuco, 18 de maio de 2008.


SOBRE O POETA [topo]

"Entrei na revoada dos poetas por uma espécie de determinismo cultural. Meu pai, Benedito Cunha Melo, era algo como um decano dos poetas de Jaboatão-PE. Corriam para ele os candidatos a poeta, com seus sonetos imberbes. Ouvia, sem querer - e às vezes querendo - o velho a ler para os amigos na sala a obra de Cruz e Souza, sua maior admiração brasileira. Ouvia-o declamando sozinho, em voz alta, o "Navio Negreiro" de Castro Alves. Depois, no colégio, lá estava eu enturmado com colegas que gostavam de literatura. Fui, de certa forma, amamentado pela poesia, sugando esse leite envenenado pela angústia do infinito." (Alberto da Cunha Melo, em entrevista ao jornal O Galo - Natal, RN - Janeiro/2000)

Surgido em 1966 no cenário literário recifense, Alberto da Cunha Melo, que experimentou relativo anonimato — devido, em parte, a sua modéstia excessiva enquanto escritor, noutra, às circunstâncias de produção e circulação da escrita no país, pouco favoráveis à instituição da literatura como prática social —, deve à Cláudia Cordeiro Tavares da Cunha Melo, hoje sua viúva, o inventário e a curadoria da própria obra.

Hoje, a sua obra, distribuída em fases com variações singularizadoras, é investigada por Cláudia Cordeiro que, há mais de duas décadas, observando a escrita de Alberto da Cunha Melo, sob as categorias da unidade e da coerência, já propunha, em 2003,  o seu estudo à luz do conceito de Poesia-Resistência, estabelecido por Alfredo Bosi — algo fundamental para a identificação das formas e dos eventos próprios da poesia de Alberto da Cunha Melo e, por efeito, ao leitor que lhe desejasse compreender a estética e a mensagem genuínas.

"A estranha beleza que sai dos versos de Alberto da Cunha Melo nasce da fusão de um visceral sentimento da terra (quantas imagens pejadas de lama e lixo, mangue e cinzas!) com a aspiração infinita de quem está mirando o mar e altas distâncias numa luneta de escoteiro." Alfredo Bosi.


NOTAS E LINKS  [topo] 

SOBRE A MORTE DO POETA

“Alberto da Cunha Melo foi um dos maiores poetas do Brasil de hoje. Eu sei que essas frases são comuns quando alguém morre, mas é uma opinião que tenho desde antes da sua morte”. (Abdias Moura, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras.)

“O que eu/ poeta menor / viandante das ruas / de verso trôpego e inacabado / posso dizer de ti?/ nada, meu poetamigo/ esqueço das palavras/ e vejo por baixo dos teus óculos/ a centelha do poema/ e rogo que a timidez da tua língua/ se parta ao toque do copo de conhaque” – (Cida Pedrosa fez logo que soube da morte de Alberto da Cunha Melo.)

“Há um verso de Esman Dias, que é da geração de Alberto da Cunha Melo, que diz que quando morre um poeta, morre um mundo. Não é que o poeta seja do tamanho do mundo, mas com ele vai uma interpretação do mundo e Alberto foi alguém que o compreendia” (Pedro Américo, escritor e poeta.)

“Com a morte de Alberto, emerge a obra importantíssima de um grande autor, que merece ser estudada com todo cuidado. Um artista nunca desaparece” (Heloísa Arcoverde, responsável pelo Departamento de Editoração da Prefeitura.)

“Um artista nunca morre, porque a obra dele continua. Nós continuaremos com a obra de Alberto Cunha Melo”. (Raimundo Carrero, escritor.)

“São de chumbo os dias
que se seguem à morte de um poeta.
São de asas gris
línguas partidas
e águas amareladas
os pássaros
que anunciam a morte de um poeta.
Feitos de letras
outros estanhos
os poemas que cantam a morte de um poeta
não têm música.
Só o poeta paira,
brisa de outubro.
Só o poeta voa,
pétala.
Só o poeta poema,
Música
Música
e ainda uma vez
música.” — (Poema inédito de Micheliny Verunschk homenageando Alberto.)

No início do ano passado tive um primeiro contato com o trabalho desse poeta através de seu 'Relógio de Ponto', um poema tão intenso, tão perfeito, tão maravilhosamente poesia de primeira qualidade. Poema que elegi para uma suposta lista das coisas mais belas que já vi. Hoje, venho a saber de seu falecimento. Confesso que senti uma dor pela perda de mais um eterno transitório criador, embora permaneça seu poema, e tantos outros que ainda não li. Um poema, encontrado nos burburinhos da net, ali sossegado, docemente revelado, uma surpresa, como uma flor rara que nossos olhos atentos descobrem a uma certa luz da manhã. (Fernando Campanella)


FONTES:
Wikipédia
Site oficial do autor:
www.albertocmelo.com.br

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