CLARICE LISPECTOR
☼ 10/12/1920 - Tchetchelnik (se afirmava de Recife, PE), Ucrânia e Brasil
 † 09/12/1977 - Rio de Janeiro, RJ

• BIBLIOGRAFIA

• PRÊMIOS

• CRONOLOGIA

• SOBRE A AUTORA

• NOTAS E LINKS


CLARICE LISPECTOR, escritora e jornalista. Nasceu na cidade russa de Tchetchelnik, uma aldeia da Ucrânia, então pertencente à Rússia. Naturalizada brasileira — e declarava, quanto a sua brasilidade, ser pernambucana. Filha de Pinkhas "Pedro" Lispector e Mania "Marieta" Lispector. Nascida numa família judaica da Rússia que perdeu suas rendas com a Guerra Civil Russa e se viu obrigada a emigrar em decorrência da perseguição a judeus que estava sendo pregada então, resultando em diversos extermínios em massa.

Clarice chegou ao Brasil , ainda pequena, em 1922, com seus pais e duas irmãs mais velhas, Elisa e Tânia. Inicialmente, a família passou um breve período em Maceió, até se mudar para o Recife, onde Clarice cresceu e onde, aos oito anos, perdera a mãe. Aos quatorze anos de idade, transfere-se com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, onde a família estabilizou-se, e onde o seu pai viria a falecer, em 1940.

As primeiras letras são feitas no Grupo Escolar João Barbalho. Com Samuel Rawet, nascido na Polônia, Clarice Lispector curiosamente, vai aprender muito bem o português. Já aos nove anos de idade tenta a sua primeira experiência no mundo das letras. É uma pequena peça de teatro. Lê autores brasileiros como Monteiro Lobato e José de Alencar. O curso ginasial é feito no Colégio Sílvio Leite, do Rio de Janeiro, para onde a família se transferira em 1934.

Estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, conhecida como Universidade do Brasil, apesar de, na época, ter demonstrado mais interesse pelo meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora.

Seu interesse pela literatura é crescente: já lê Machado de Assis e Graciliano Ramos, e descobre Hermann Hesse e Julien Green. Mais tarde leria Katherine Mansfield, de quem os críticos aproximam a sua literatura. Em 1943 está na Faculdade de Direito e começa a escrever o seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, publicado no ano seguinte. Os críticos se dividem quanto à apreciação do romance, mas ele conquista o Prêmio Graça Aranha.
Por esta época casa-se com seu colega de turma, Mauri Gurgel Valen¬te, que, mais tarde, na carreira diplomática, leva a mulher por muitos países. Assim é que Clarice Lispector escreve grande parte de sua obra no exterior.

O segundo romance, O Lustre, é de 1946. A crítica literária o recebe sem restrições, embora aponte-lhe a influência de Katherine Mansfield e Virgínia Woof. Reside por algum tempo em Berna e em 1949 lança A Cidade Sitiada. O famoso pintor De Chirico pinta-lhe o retrato. Em 1952 publica Alguns Contos e já trabalha no romance A Maçã no Escuro, que será editado em 1961 com grande sucesso. Com este romance conquista novo prêmio, o Carmem Dolores Barbosa, de São Paulo.

Em 10 de agosto de 1948, nasce em Berna, Suíça, o seu primeiro filho, Pedro Lispector Valente. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo Lispector Valente, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.

Em 1959 Clarice retorna definitivamente ao Brasil. Separa-se do marido, Maury Gurgel Valente.

Embora conhecida, principalmente pelos críticos e professores universitários, Clarice Lispector ainda tem dificuldades de pu¬blicar seus livros. Em cartas para as irmãs, ela diz: "Não sei se você sabe que a Agir não quer ou não pode publicar meu livro". Ela se referia a O Lustre. Mais tarde, não consegue publicar também A Maçã no Escuro, devolvido pela Civilização Brasileira e José Olympio. O romance sairia pela Francisco Alves.

De volta ao Brasil, no entanto, as coisas começam a ficar mais claras, pois colabora em revista e jornais e se torna mais conhecida. Seu novo livro de contos, incorporando o primeiro, Laços de Família, é lançado em 1959. Seus livros anteriores começam também a serem reeditados. Em 1964 um novo livro de contos, A Legião Estrangeira. Fumante inveterada, sofre, em 1966, grave acidente em casa, ao dei¬xar cigarro acesso em seu quarto: queima as mãos e um pouco o rosto, mas se restabelece. No ano seguinte passa a escrever uma crônica semanal no Caderno B do Jornal do Brasil. Seu nome agora representa o que de melhor tem a ficção brasileira e seus livros começam a ser traduzidos.
Um novo romance, A Paixão Segundo G.H., sai em 1968. Ela agora vive intensamente a vida literária, com entrevistas, conferências, congres¬sos. A sua biografia, como a de tantos escritores, passa a ser quase que somente uma biografia literária. Em 1969 publica Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Em 1975 reúne uma nova coletânea de contos, Felici-dade Clandestina.

Entre 1976 e 1977, quando morre de grave doença, Clarice Lispector conclui seus dois últimos, romances, A Hora da Estrela, publicado ainda em vida, e Um Sopro de Vida, editado no ano seguinte de sua morte. Sobre este último livro, o depoimento de Olga Borelli, uma sua amiga, é muito importante: "Iniciado em 1974 e concluído em 1977, às vésperas de sua morte, este livro, de criação difícil, foi, no dizer de Clarice, 'escrito em agonia', pois nasceu de um impulso doloroso que ela não podia de¬ter." A ordenação dos manuscritos deste livro foi confiada a Olga Borelli pelos filhos de Clarice.

Em 1984, as suas crônicas dispersas em jornais são reunidas no volu¬me A Descoberta do Mundo. Tanto o livro de Olga Borelli, Clarice Lispec¬tor, Esboço para um Possível Retrato, publicado em 1981, e onde trans¬creve algumas cartas da autora, quanto este livro de crônicas, servem de complemento biobibliográfico de Clarice Lispector, tendo o leitor, agora, uma visão de conjunto da obra de uma grande e original escritora.

Consagrada como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da literatura brasileira e do modernismo e sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.

Faleceu em 9 de Dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos, em decorrência de um câncer de ovário. Deixou uma vasta obra literária composta de romances, novelas, contos e crônicas.


BIBLIOGRAFIA [topo]

Romance

• Perto do coração selvagem, 1943
• O lustre, 1946
• A cidade sitiada, 1949
• A maçã no escuro, 1961
• A paixão segundo G. H., 1964
• Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, 1969
• Água viva, 1973
• Um sopro de vida, 1978

Novela

• A hora da estrela, 1977

Contos

• Laços de família, 1960
• A legião estrangeira, 1964
• Felicidade clandestina, 1971
• Onde estivestes de noite?, 1974
• A via crucis do corpo, 1974
• O ovo e a galinha, 1977
• A bela e a fera, 1979

Literatura infantil

• O mistério do coelho pensante, 1967
• A mulher que matou os peixes, 1968
• A vida íntima de Laura, 1974
• Quase de verdade, 1978
• Como nasceram as estrelas, 1987

Crônicas

• Para não esquecer, 1978
• A descoberta do mundo, 1984

Correspondências

• Correspondências, 2002
• Minhas queridas, 2007

Entrevistas

• Entrevistas, 2007

Artigos de Jornais

• Outros Escritos, 2005
• Correio Feminino, 2006
• Só para mulheres, 2006

Obras póstumas

Coletâneas de contos, crônicas e entrevistas organizadas e publicadas postumamente

• A Bela e a Fera, 1979 – reunião de contos inéditos escritos em épocas diferentes
• A Descoberta do Mundo, 1984 – seleção de crônicas publicadas em jornal entre agosto de 1967 e dezembro de 1973
• Como Nasceram as Estrelas, 1987 – contos infantis
• Cartas Perto do Coração, 2001 – cartas trocadas com Fernando Sabino
• Correspondências, 2002
• Aprendendo a Viver, 2004 – seleção de crônicas publicadas em jornal entre agosto de 1967 e dezembro de 1973
• Outros Escritos, 2005 – reunião de textos de natureza diversa
• Correio Feminino, 2006 – reunião de textos publicados em suplementos femininos de jornais, nas décadas de 1950 e 1960
• Entrevistas, 2007 – seleção de entrevistas realizadas nas décadas de 1960 e 1970
• Minhas Queridas, 2007 – correspondências
• Só para Mulheres, 2008 – reunião de textos publicados em suplementos femininos pouco masculinos de jornais, nas décadas de 1950 e 1960
• De amor e amizade: crônicas para jovens, 2010 - seleção de crônicas publicadas
• Todos os Contos, 2016 - reúne os contos escritos por Clarice Lispector. O organizador e prefaciador da obra é o escritor norte-americano Benjamin Moser.


PRÊMIOS [topo]

• 1961 - Prêmio Carmem Dolores Barbosa
• 1961 - Prêmio Jabuti, pelo livro "Laços de Família" (contos)
• 1978 - Prêmio Jabuti, pelo livro "A Hora da Estrela" (romance)
• 2011 - Ordem do Mérito Cultural, Ministério da Cultura (MinC)


CRONOLOGIA [topo]

• 1920 - Nasce a 10 de dezembro em Tchetchelnik, na Ucrânia. Clarice recebe o nome de batismo de Haia (Vida), filha de Mania e Pinkhas Lispector (Marieta e Pedro Lispector).
• 1922 - Seu pai consegue, em Bucareste, um passaporte para toda a família no consulado da Rússia. Era fevereiro quando foram para a Alemanha e, no porto de Hamburgo, embarcam no navio "Cuyaba" com destino ao Brasil. Em março: chegada em Maceió da família Lispector, composta por: Pinkhas (37 anos), Mania (31 anos), Leia (9 anos), Tania (6 anos) e Haia (1 ano). Durante a permanência na capital alagoana, seus nomes são abrasileirados para Pedro (Pinkas), Marieta (Mania), Elisa (Leia) e Clarice (Haia) — somente Tania conserva o nome original. São recebidos por Zaina, irmã de Mania e seu marido, José Rabin, que viabilizaram a vinda deles para o Brasil e os hospedaram nos primeiros tempos.
• 1924 - A família muda-se para Recife (Estado de Pernambuco). Clarice passa a sua infância, em um prédio da Praça Maciel Pinheiro. O pai é pequeno comerciante. A doença da mãe, que sofre de paralisia progressiva, agrava-se.
• 1928 - Com sete anos aprende a ler.
• 1930 - Morre a mãe de Clarice no dia 21 de setembro. Nessa época, com nove anos, matricula-se no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro, onde termina o terceiro ano primário. Estuda piano, hebraico e iídiche. Uma ida ao teatro a inspira e ela escreve "Pobre menina rica", peça em três atos, cujos originais foram perdidos. Nessa época, envia contos para o Diário de Pernambuco, mas nenhum deles é publicado. Seu pai resolve adotar a nacionalidade brasileira.
• 1935 - Pedro Lispector transfere-se com a família para o Rio de Janeiro, passando Clarice a estudar no Colégio Sílvio Leite. Nesse período lê bastante, não só a literatura romântica de Delly, como também as obras de escritores consagrados como Júlio Dinis, Eça de Queirós, José de Alencar e Dostoievski.
• 1938 - Prepara-se, no Colégio Andrews, para ingressar na Faculdade de Direito. E nessa época, frequenta uma pequena biblioteca de aluguel na Rua Rodrigo Silva, onde escolhe os livros pelo título. Descobre, ocasionalmente, a obra de Katherine Mansfield.
• 1940 - Entra para a Faculdade Nacional de Direito. Publica, no dia 25 de maio, o primeiro trabalho de ficção, o conto Triunfo, no semanário Pan, de Tasso da Silveira. Em 26 de agosto, morte do pai de Clarice. Ela passa a residir no bairro do Catete com a irmã Tania Kaufmann, já casada. Começa a trabalhar como redatora e repórter na Agência Nacional, do Departamento de Imprensa e Propaganda.
• 1941 - Redatora da Agência Nacional, trabalha ao lado de Lúcio Cardoso, que se tornaria um de seus melhores amigos.
• 1942 - Enquanto cursa a faculdade, começa a escrever seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem.
• 1943 – Naturaliza-se brasileira em 12 de janeiro. Em 23 de janeiro, casa-se com Maury Gurgel Valente, seu colega na faculdade de Direito, que em 1940 havia realizado o concurso do Instituto Rio Branco e ingressado na carreira diplomática. Publica seu primeiro livro, Perto do coração selvagem.
• 1944 - De 20 de janeiro a 13 de julho, o jovem casal passa uma temporada em Belém, Pará, onde Maury atua como elemento de ligação entre as autoridades estrangeiras ali sediadas durante a Segunda Guerra Mundial. Embarca no dia 19 de julho, para Nápoles, Itália, onde Maury assume o primeiro posto no exterior. Em virtude do conflito, Clarice só chegaria à Itália em agosto, após escalas em Portugal e no norte da África. Perto do coração selvagem recebe o prêmio Graça Aranha de melhor romance de 1943, da Academia Brasileira de Letras - ABL.
• 1945 - No fim da guerra, Clarice é retratada por De Chirico. Em maio de 45, ela manda uma carta às irmãs Elisa e Tânia, contando o encontro com o artista e falando sobre o final da guerra na Europa. "Eu estava em Roma quando um amigo meu disse que o De Chirico na certa gostaria de me pintar. Perguntou a ele. Aí ele disse que só me vendo. Me viu e disse: eu vou pintar o seu... o seu retrato. Em 3 sessões ele fez. E disse assim: eu podia continuar pintando interminavelmente esse retrato, mas eu tenho medo de estragar tudo. Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou: 'È finita la guerra'. Eu também dei um grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Aposto que, no Brasil, a alegria foi maior."
• 1946 - De 18 de janeiro a 21 de março, passa temporada no Rio de Janeiro, quando aproveita para lançar seu segundo livro, O lustre. Em 15 de abril, o casal Gurgel Valente instala-se em Berna, na Suíça.
• 1948 - Nasce no dia 10 de setembro, em Berna, o primeiro filho, Pedro.
• 1949 - O casal Gurgel Valente deixa Berna e passa uma temporada no Brasil, durante a qual Clarice aproveita para lançar seu terceiro livro, A cidade sitiada.
• 1950-1951 - Passa seis meses na cidade inglesa de Torquay, onde Maury participa da III Conferência Geral de Comércio e Tarifas. 
• 1952 – Assume a página Entre Mulheres do Jornal Comício, sob o pseudônimo de Tereza Quadros. Publica o primeiro livro de contos, Alguns Contos, pelo Ministério de Educação e Saúde. Em setembro, instala-se com a família em Washington, onde Clarice torna-se grande amiga do casal Mafalda e Érico Veríssimo, que viriam a ser mais tarde padrinhos de seus dois filhos.
• 1952-1959 - Reside em Washington.
• 1953 - Em 10 fevereiro, nasce o segundo filho, Paulo.
• 1954 - Temporada de férias no Rio de Janeiro, de 15 de junho a 15 de setembro. Sai a edição francesa de Perto do coração selvagem, pela editora Plon.
• 1958-1959 - Colabora para a revista Senhor.
• 1959 - Separa-se do marido e passa a residir definitivamente, com os filhos, no Rio de Janeiro. Assume a coluna Correio Feminino – Feira de Utilidades, no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. Publica ainda uma série de contos na revista Senhor.
• 1960 - Publica seu segundo livro de contos,Laços de Família. Torna-se responsável pela coluna “Só mulheres”, do Diário da noite, na qualidade de ghost writer da atriz Ilka Soares.
• 1961 – Publica o quarto romance, A mação no escuro. Recebe o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por Laços de família.
• 1962 - Recebe o Prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro.
• 1963 - Profere, no XI Congresso Bienal do Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana promovido pela Universidade do Texas, em Austin, a conferência Literatura de vanguarda no Brasil.
• 1964 - Publicação do terceiro livro de contos, A Legião Estrangeira, e do quinto romance, A paixão segundo G.H.
• 1965 - O romance Perto do coração selvagem é encenado por Fauzi Arap no Teatro Maison de France, com interpretação de Glauce Rocha e José Wilker.
• 1967 - Sobrevive a um incêndio em seu quarto que a deixa três dias entre a vida e a morte e quase provoca a amputação de sua mão direita, fortemente queimada. Torna-se cronista do Jornal do Brasil em agosto. E publica seu primeiro livro infantil, O mistério do coelho pensante.
• 1968 – Publicação do segundo livro infantil, A mulher que matou os peixes.
Inicia, em março, uma série de entrevistas para a revista Manchete, sob o título Diálogos possíveis com Clarice Lispector. Recebe a Ordem do Calunga, concedida pela Campanha Nacional da Criança, pelo livro O mistério do coelho pensante. Engajamento político: em crônica publicada em 6 de abril, declara-se chocada com a morte do estudante Edson Luís. Em 2 de junho, integra o grupo de 300 intelectuais que se dirige ao Palácio Guanabara para cobrar do governador Negrão de Lima uma postura mais democrática. Em 26 de junho, participa, na linha de frente composta por intelectuais e artistas, da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar.
• 1969 – Publicação do sexto romance, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Premiado com o Golfinho de Ouro do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
• 1971 - Publicação do quarto livro de contos Felicidade Clandestina.
• 1973 - Publicação do quinto romance, Água Viva, e do sexto livro de contos, A imitação da rosa. Deixa de colaborar com o Jornal do Brasil em dezembro.
• 1974 - Publicação do sétimo e do oitavo livro de contos, A via crucis do corpo e Onde estivestes de noite, assim como do terceiro livro infantil, A vida íntima de Laura.
Participa, em agosto, Participa do IV Congresso da Nova Narrativa Hispanoamericana, em Cali, na Colômbia. Passa a se dedicar intensamente à tradução, vertendo para o português obras de autores de estilos tão diversos quanto Ibsen, Garcia Lorca, Jack London, Julio Verne, Bella Chagall, Henry Fielding, Agatha Christie, Pascal Lainé e Edgar Allan Poe.
• 1975 - Publicação da coletânea de crônicas Visão do esplendor — Impressões leves.  Publicação do livro de entrevistas De corpo inteiro. E participa do 1º Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, com o texto "Literature and Magic". Passa a se dedicar também à pintura.
• 1976 - Participa, em abril, da II Exposição-Feira Internacional do Autor ao Leitor, em Buenos Aires, Argentina. Neste mesmo mês, recebe o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pelo conjunto de sua obra. Grava, no dia 20 de outubro, um depoimento sobre sua vida e obra para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, tendo como entrevistadores Affonso Romano de Sant’Anna, Maria Colasanti e João Salgueiro, diretor do MIS. Em dezembro, é contratada pela revista Fatos & fotos para fazer uma série de entrevistas nos moldes daquelas que efetuara para a revista Manchete, atividade que manteria até outubro do ano seguinte.
• 1977 - Em fevereiro, é contratada pelo jornal Última Hora para assinar uma crônica semanal. Nesse mesmo mês, Clarice concede entrevista a Júlio Lemer, da TV Cultura de São Paulo, que só seria veiculada no dia 28 de dezembro. Publicação, em outubro, do seu último livro a novela A hora da estrela,que foi adaptado para o cinema, em 1985. Em 9 de dezembro, morre de câncer, às vésperas de completar 57 anos. Queria ser enterrada no Cemitério São João Batista, mas era judia, sendo sepultada no Cemitério Comunal Israelita do Caju. Ainda em dezembro, seu filho, Paulo doa uma série de documentos manuscritos e datilografadas — incluindo a correspondência pessoal da autora —, à Fundação Casa de Rui Barbosa.
• 1978 - É publicado Um sopro de vida, que ela considera “pulsações”, fragmentos que foram reunidos por sua amiga Olga Borelli. Também sai publicado seu quarto livro de literatura infantil. Quase de verdade. A segunda parte do volume A Legião Estrangeira é publicado em volume autônomo, com o título Para não esquecer.
• 1979 - É publicado o volume A Bela e a Fera, com alguns dos seus primeiros e últimos contos ainda inéditos.
• 1984 - É publicado o volume A Descoberta do mundo, que reúne parte das crônicas anteriormente publicadas no JB.
• 1987 - É publicado o livro Como nasceram as estrelas. 12 Lendas brasileiras, com as histórias que serviram de ilustração para o calendário encomendado a Clarice pela fábrica de brinquedos Estrela.


SOBRE A AUTORA [topo]

O objetivo de Clarice, em suas obras, é o de atingir as regiões mais profundas da mente das personagens para aí sondar complexos mecanismos psicológicos. É essa procura que determina as características especificas de seu estilo.

O enredo tem importância secundária. As ações — quando ocorrem — destinam-se a ilustrar características psicológicas das personagens. São comuns em Clarice histórias sem começo, meio ou fim. Por isso, ela se dizia, mais que uma escritora, uma "sentidora", porque registrava em palavras aquilo que sentia. Mais que histórias, seus livros apresentam impressões. Predomina em suas obras o tempo psicológico, visto que o narrador segue o fluxo do pensamento e o monólogo interior das personagens. Logo, o enredo pode fragmentar-se. O espaço exterior também tem importância secundária, uma vez que a narrativa concentra-se no espaço mental das personagens. Características físicas das personagens ficam em segundo plano. Muitas personagens não apresentam sequer nome. As personagens criadas por Clarice Lispector descobrem-se num mundo absurdo; esta descoberta dá-se normalmente diante de um fato inusitado — pelo menos inusitado para a personagem. Aí ocorre a “epifania”, classificado como o momento em que a personagem sente uma luz iluminadora de sua consciência e que a fará despertar para a vida e situações a ela pertencentes que em outra instância não fariam a menor diferença. Esse fato provoca um desequilíbrio interior que mudará a vida da personagem para sempre.

Para Clarice, "Não é fácil escrever. É duro quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados". "Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas". "Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo." (Meire Oliveira Silva)

Olga Borelli sintetiza: "Defini-la é difícil. Contra a noção do mito, de intelectual, coloco aqui a minha visão dela: era uma dona-de-casa que escrevia romances e contos. Dois atributos imediatamente visíveis: integri¬dade e intensidade. Uma intensidade que fluía dela e para ela refluía. Procurava ansiosamente, lá, onde o ser se relaciona com o absoluto, o seu centro de força — e essa convergência a consumia e fazia sofrer. Sempre tentou de alguma maneira solidarizar-se e compreender o sofri¬mento do outro, coisa que acontecia na medida da necessidade de quem a recebia. O problema social a angustiava. Sabia o quanto doíam as coisas e o quanto custava a solidão."


NOTAS E LINKS [topo]

• Clarice recebe o nome de batismo de Haia (Vida)

• A escritora dizia não ter nenhuma ligação com a Ucrânia - "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira pátria era o Brasil..

• "Meus livros felizmente para mim não são superlotados de fatos,e sim da repercussão dos fatos nos indivíduos.
Eu me refugiei em escrever. Acho que consegui devido a uma vocação bastante forte e uma falta de medo ao ser considerada diferente no ambiente em que vivia."

• “Com sete anos eu mandava histórias e histórias para a seção infantil que saía às quintas-feiras num diário. Nunca foram aceitas."

LINKS

• Site da autora no Instituto Moreira Salles (IMS)
   claricelispectorims.com.br


FONTE(S)

WIKIPÉDIA
IMS > claricelispectorims.com.br

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