ARMINDO TREVISAN
☼ 06/09/1933 - Santa Maria, RS

• BIBLIOGRAFIA

• PRÊMIOS

• SOBRE O AUTOR


ARMINDO TREVISAN, poeta, escritor, curador, teólogo, crítico de arte, professor universitário e ensaísta. Nasceu em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 6 de setembro de 1933.

O processo de formação do poeta Armindo Trevisan é envolto pelo ambiente sacro-religioso do seminário, da Teologia e da Filosofia. Formou-se em Teologia no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria RS, em 1958. Em 1963 tornou-se doutor em Filosofia em Friburgo (Suíça), e no ano seguinte começa sua carreira como professor universitário.  Até 1986 ministra aulas de Ética da Filosofia, História da Arte e Estética, História da Filosofia Medieval, Contemporânea e Doutrina Social Cristã nas cidades de Santa Maria, Caxias do Sul e Porto Alegre.

Em 1970 pede dispensa dos votos religiosos, fato que alterará explicitamente a essência de sua poesia. Toda a obra do autor é marcada pelo cunho religioso de sua educação. Entretanto, esse rompimento direto com a vida religiosa deixou aflorar nas suas obras todo o erotismo do amor carnal. Desejo, paixão, sexo passam a ser transcritos ora em doces linhas cheias de ternura, ora em instintivos versos ousados e picantes, mas sem em momento algum cair no profano ou depravado.

Ainda na década de 1970 faz estudos de Literatura, Arte e Filosofia como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (Portugal).

Em 1975 participa na antologia Brasilianische Poesie des 20, organizado por Curt Meyer-Clason, em Munique (Alemanha). De 1978 a 2000 publica vários livros de ensaios, entre os quais Escultores Contemporâneos do Rio Grande do Sul e Como Apreciar a Arte. Em 1986 torna-se professor de pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Crítica social, questionamentos à ordem politicamente imposta e um chamado para ‘o acordar da população’ também são temas abordados em sua obra, mas igualmente penetrados por um toque de fervor erótico. Entretanto, é a religiosidade que permeia toda a sua obra, mesmo em seus versos mais eróticos.

Mas além de poesias, também escreve alguns ensaios ao longo de sua trajetória, bem como contribui com alguns jornais, entre 1967 e 1982, em Brasília (DF), Petrópolis (RJ), Porto Alegre (RS), São Paulo, Rio de Janeiro e Portugal, bem como com algumas revistas em ambos os países.

Sendo considerado um dos maiores poetas gaúchos contemporâneos, apesar do seu poema difícil, pouco acessível para a maior parte dos leitores, foi escolhido como patrono da 47ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Teve passagem pela vida acadêmica na Suíça, México, França, Espanha e Portugal. Tendo obras traduzidas em várias línguas, especialmente alemão, italiano, espanhol e inglês.


BIBLIOGRAFIA [topo]

Poesias

• A surpresa de ser, 1967
• A imploração do nada, 1971
• Funilaria no ar, 1973
• Corpo a corpo, 1973
• O abajur de Píndaro / A fabricação do real, 1975
• Em pele e osso, 1977
• O ferreiro harmonioso, 1978,
• O rumor do sangue, 1979
• A mesa do silêncio, 1982
• O moinho de Deus, 1985
• Antologia poética, 1986
• A dança do fogo, 1995
• Os olhos da noite, 1997
• O canto das criaturas, 1998 Biografia Lírica de São Francisco de Assis
• Antologia Poética, 1998
• Faróis da Solidão, 1998
• Orações para o novo milênio, 1999
• Aldo Locatelli - o Mago das Cores, 1999
• Nova Antologia Poética, 2001
• A serpente na grama, 2001
• Adeus Às Andorinhas, 2008
• Uma viagem através da Idade Média, 2014

Teoria literária e ensaios

• Essai sur le Problème de la Création chez Bergson - Fribourg, Suíça, 1963.
• Reflexões Sobre a Poesia - Porto Alegre, InPress Editora, 1993
• A Escultura dos Sete Povos - P. Alegre, Movimento, 1978.
• Escultores Contemporâneos do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Editora da URGS, Fundação Nacional Pró-Memória - INL, 1982.
• A Dança do Sozinho -, Uma Análise da Arte Abstrata - São Paulo, Editora Perspectiva, 1988.
• Como Apreciar a Arte, Do Saber ao Sabor: uma Síntese Possível - Porto Alegre, Editora Mercado Aberto, 1990.
• Reflexões Sobre a Poesia - Porto Alegre, InPress Editora, 1993.
• A Sombra Luminosa, Ensaios de Estética Cristã. Petrópolis, Editora Vozes, 1995.


PRÊMIOS [topo]

1967 - Prêmio Gonçalves Dias da União Brasileira de Escritores, com a obra “A surpresa do ser”, em cuja comissão julgadora se incluíam Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Cassiano Ricardo;
1972 - Prêmio Nacional de Brasília, para poesia inédita, com a obra “O abajur de Píndaro”;
1997 - Prêmio APLUB de Literatura 1996-1997, com a obra “A dança do fogo”.



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SOBRE O AUTOR [topo]

Os poemas de Trevisan são sempre concisos. Segundo a crítica Regina Zilberman, Armindo Trevisan "orienta seus versos para uma temática menos individualista e mais filosófica, adere à estética moderna, mas não chega a aderir à vanguarda concretista que marcou por algum tempo a produção literária de autores do centro e do norte do país".

Surpreendentes na produção de ritmos que se quebram, mas, muitas vezes "duros", lembrando um conceito de Ezra Pound, continuam soando agradáveis, demonstrando grande domínio do aspecto sonoro da poesia. Sua poesia, muitas vezes, assume um tom clássico, raramente podendo (e, no entanto, muito convincentemente) ser classificada como modernista, mas, possivelmente, como moderna. Faz uso de um vocabulário culto e incomum, porém de forma muito contemporânea, remetendo sempre, por etimologia ou derivação, a vocábulos comumente usados.

Estes recursos criam uma dicção solene, um tom severo, sublinhando a dramaticidade da condição humana, numa luta austera da alma contra o corpo e vice-versa. Na poesia brasileira o estilo de Armindo Trevisan só encontra paralelo na estrutura criativa do paulista Marcelo Adifa, que dedicou um dos seus livros "A Quem Se Fizer Estrela" (2015/Penalux) ao gaúcho.

Assim, seus temas são, frequentemente, erótico-amorosos, participando deles, muitas vezes, a figura de Deus. Ou seja, sendo uma poesia que Jorge de Lima qualificaria como poesia cristã, seus propósitos, no entanto, não são evangelizadores, buscando a expressão de sua inquietação existencial, demonstrando, inclusive, um certo desespero ante este embate, como se se sentisse um mero brinquedo de Deus.

Apesar da "antiguidade" de seus temas, o poeta, por sua novidade formal, consegue nos fazer focalizá-los com olhos novos, o que o torna um poeta incomum e faz com que se coloque como uma opção à pasteurização da poesia contemporânea, tendo sido objeto de estudo de José Paulo Paes no livro "Os Perigos da poesia e outros ensaios" e admirado por João Cabral de Melo Neto, Érico Veríssimo e Murilo Mendes.



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FONTE(S)

WIKIPÉDIA

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