Poeta, compositora, cantora, violoncelista e escritora.
Filha dos escritores Janete Clair e Dias Gomes, tornou-se primeiramente conhecida por temas musicais compostos para personagens das telenovelas,tais como "Pelas muralhas da adolescência", Bandeira 2, e "Alouette", Pai Herói, "Companheiros",Sinhá Moça, entre outros, alcançando depois, reconhecimento pela sua vasta e premiada produção poética.
É violoncelista da Orquestra Rio Camerata
A poesia de Denise Emmer, sobretudo depois deste seu último volume Lampadário (Editora 7Letras, 2008), pode ser tida como um exemplo de obra que, mesmo antes do julgamento implacável do tempo histórico, irá se inscrever no cânone dos grandes poetas brasileiros. São poucos os autores dos quais podemos fazer tal ilação extemporânea, afirmando-a a partir, não da subjetividade do gosto, mas da análise do conjunto da própria obra em questão. Neste sentido, basta consultarmos o que sobre sua obra escreveram alguns dos mais notáveis críticos e poetas brasileiros contemporâneos.
(...)
Sem dizer tudo ou mais que o necessário, Denise Emmer nos diz o essencial, aquilo que, nada nos explicando, aflora no horizonte da linguagem como “algo” decifrador da essência humana, pois a explicação – como já afirmou Heidegger – pensa “mecanicamente”, e não no horizonte da linguagem. (...)
Sem abrir mão modernamente da imanência sagrada da linguagem poética, Denise Emmer, assim como um Cruz e Sousa ou uma Cecília Meireles, capta-a ao nível da linguagem mesma da poesia: seja pela musicalidade ou pela plasticidade de suas imagens. Resumindo: seus poemas conseguem nos transmitir tanto a harmonia de um canto gregoriano como o rigor colorístico da profissão de fé de Paul Cézanne. A presença do sagrado em seus poemas não se restringe, portanto, a uma temática especificamente religiosa – ao contrário, ela imana do próprio mundo, da natureza, da vida. No terceiro poema metalingüístico de “Dicionário da língua bela”, ela escreve, confirmando tudo o que dissemos acima: “Das rochas escuto rimas / Deixo que passem pássaros / As palavras as vertigens / Não me aproprio ainda / Do seu imprevisto canto / Escalo a página em branco”.
Sendo, além de poetisa, romancista e musicista, uma aficcionada do alpinismo (Memórias da montanha é um relato memorialístico sobre o tema publicado pela Ediouro em 2006), o último verso citado acima – “Escalo a página em branco” – pode ser lido como uma sucinta definição do seu processo criativo. Afinal, uma das metáforas sobre a poesia não pode ser também a de deparar-se com o mistério da montanha e com o espanto de escalá-la?
Frederico Gomes é poeta e tradutor
(Jornal do Commércio - RJ) |