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A ÁGUA DA CHUVA DESCE A LADEIRA
A ARANHA DO MEU DESTINO
A CIÊNCIA, A CIÊNCIA, A CIÊNCIA...
A CRIANÇA QUE RI NA RUA
A ESPERANÇA COMO UM FÓSFORO INDA ACESO
A ESTRADA, COMO UMA SENHORA
A ÍBIS
A LÂMPADA NOVA
A LAVADEIRA NO TANQUE
A LEMBRADA CANÇÃO
A LUA (DIZEM OS INGLESES)
A MÃO POSTA SOBRE A MESA
A MINHA CAMISA ROTA
À MINHA QUERIDA MAMÃ
A MISÉRIA DO MEU SER
A MONTANHA POR ACHAR
A MORTE CHEGA CEDO
A MORTE É A CURVA DA ESTRADA
À NOITE
A NOVELA INACABADA
A NUVEM VEIO E O SOL PAROU
A PÁLIDA LUZ DA MANHÃ DE INVERNO
A QUEM A NATUREZA NÃO FEZ BELO
A TUA CARNE CALMA
A TUA VOZ E O QUE ELA DIZ
A TUA VOZ FALA AMOROSA...
ABAT-JOUR
ABISMO DE SER MUITOS! NOITE MINHA!
AH QUANTA MELANCOLIA!
AH, A ESTA ALMA QUE NÃO ARDE
AH, BATE LEVEMENTE, MAIS LEVEMENTE!
AH, COMO INCERTA, NA NOITE EM FRENTE
AH, COMO O SONO É A VERDADE, E A ÚNICA
AH, JÁ ESTÁ TUDO LIDO
AH, QUANTA VEZ, NA HORA SUAVE
AH, QUERO AS RELVAS E AS CRIANÇAS!
AH, SEMPRE NO CURSO LEVE DO TEMPO PESADO
AH, SÓ EU SEI
AH, TOCA SUAVEMENTE
AH, VERDADEIRAMENTE A DEUSA!
ALGA
AMEAÇOU CHUVA. E A NEGRA
AMEI-TE E POR TE AMAR
AMIEL
ANÁLISE
ANDAVAM DE NOITE AOS SEGREDOS
ANTÍGONA
ANTÍNOO
AO LONGE, AO LUAR
AQUI ESTÁ-SE SOSSEGADO
AQUI NA ORLA DA PRAIA, MUDO E CONTENTE DO MAR
AQUI NESTE PROFUNDO APARTAMENTO
AQUI ONDE SE ESPERA
AQUILO QUE A GENTE LEMBRA
ÁRVORE VERDE
AS COISAS QUE ERREI NA VIDA
AS LENTAS NUVENS FAZEM SONO
AS NUVENS SÃO SOMBRIAS
ÀS VEZES, EM SONHO TRISTE
ÁS VEZES, QUANDO CISMO, E INCERTO VOU
AUTO DAS BACANTES - ESCRITO PARA SOLENIZAR A ENTRADA DO SOL EM ÁRIES
AUTO DAS BACANTES - QUAL É, SENHOR, A MELHOR SORTE?
AUTOPSICOGRAFIA
AVE-MARIA [1]
AVE-MARIA [2]
AZUL, OU VERDE, OU ROXO, QUANDO O SOL
BÁQUICA MEDIEVAL
BASTA PENSAR EM SENTIR
BATE A LUZ NO CIMO
BEM SEI QUE ELA ERA A RAINHA
BEM SEI QUE ESTOU ENDOIDECENDO
BEM SEI QUE HÁ ILHAS LÁ AO SUL DE TUDO
BEM SEI QUE TODAS AS MÁGOAS
BEM, HOJE QUE ESTOU SÓ E POSSO VER
BÓIAM FARRAPOS DE SOMBRA
BÓIAM LEVES, DESATENTOS
BRINCAVA A CRIANÇA
CAI AMPLO O FRIO E EU DURMO NA TARDANÇA
CAI CHUVA DO CÉU CINZENTO
CAI CHUVA. É NOITE. UMA PEQUENA BRISA
CAMINHO A TEU LADO MUDO
CANÇÃO TRISTE
CANSA SENTIR QUANDO SE PENSA
CANSA SER, SENTIR DÓI, PENSAR DESTRUI
CANSADO ATÉ DOS DEUSES QUE NÃO SÃO
CANTA ONDE NADA EXISTE
CANTO A LEOPARDI
CEIFEIRA
CESSA O TEU CANTO!
CHEGUEI À JANELA
CHOVE. É DIA DE NATAL
CHOVE. HÁ SILÊNCIO, PORQUE A MESMA CHUVA
CHOVE. QUE FIZ EU DA VIDA?
CHOVE?... NENHUMA CHUVA CAI...
CLAREIA CINZENTA A NOITE DE CHUVA
COMEÇA, NO AR DA ANTEMANHÃ
COMO A NOITE É LONGA!
COMO ÀS VEZES NUM DIA AZUL E MANSO
COMO É POR DENTRO OUTRA PESSOA
COMO NUVENS PELO CÉU
COMO UM VENTO NA FLORESTA
CONSELHO
CONTEMPLO O LAGO MUDO
CONTEMPLO O QUE NÃO VEJO
CORPOS
CRIANÇA, ERA OUTRO...
DÁ A SURPRESA DE SER
DÁ-ME AS MÃOS POR BRINCADEIRA
DAI-ME ROSAS E LÍRIOS
DE ALÉM DAS MONTANHAS
DE AQUI A POUCO ACABA O DIA
DE ONDE É QUASE O HORIZONTE
DEIXA-ME OUVIR O QUE NÃO OUÇO
DEIXEI ATRÁS OS ERROS DO QUE FUI
DEIXEM-ME O SONO! SEI QUE É JÁ MANHÃ
DEIXO AO CEGO E AO SURDO
DENTRO EM MEU CORAÇÃO FAZ DOR
DEPOIS DA FEIRA
DEPOIS QUE O SOM DA TERRA, QUE É NÃO TÊ-LO
DEPOIS QUE TODOS FORAM
DESCE A NÉVOA DA MONTANHA
DESFAZE A MALA FEITA PARA A PARTIDA!
DESLEMBRO INCERTAMENTE. MEU PASSADO
DESPERTO DE SONHAR-TE
DESPERTO SEMPRE ANTES QUE RAIE O DIA
DEUS
DEVE CHAMAR-SE TRISTEZA
DIVIDO O QUE CONHEÇO
DIZEM?
DO FUNDO DO FIM DO MUNDO
DO MEIO DA RUA
DO SEU LONGÍNQUO REINO COR-DE-ROSA
DO VALE À MONTANHA
DOBRE
DÓI-ME O NEVOEIRO, DÓI-ME O CÉU
DÓI-ME QUEM SOU. E EM MEIO DA EMOÇÃO
DOLORA
DORME ENQUANTO EU VELO...
DORME SOBRE O MEU SEIO
DORME, CRIANÇA, DORME
DORME, QUE A VIDA É NADA!
DORMI. SONHEI. NO INFORME LABIRINTO
DORMIR! NÃO TER DESEJOS NEM ESPERANÇAS
DURMO OU NÃO? PASSAM JUNTAS EM MINHA ALMA
DURMO, CHEIO DE NADA, E AMANHÃ
DURMO. REGRESSO OU ESPERO?
DURMO. SE SONHO, AO DESPERTAR NÃO SEI
É A ESPADA, VEJAM BEM
É BOA! SE FOSSEM MALMEQUERES!
É BRANDO O DIA, BRANDO O VENTO
É INDA QUENTE O FIM DO DIA
E OU JAZIGO HAJA
E TODA A NOITE A CHUVA VEIO
É UM CAMPO VERDE E VASTO
É UMA BRISA LEVE
E, Ó VENTO VAGO
EH, COMO OUTRORA ERA OUTRA A QUE EU NÃO TINHA!
EIS-ME EM MIM ABSORTO
ELA CANTA, POBRE CEIFEIRA
ELEGIA NA SOMBRA
ELFOS OU GNOMOS TOCAM
EM OUTRO MUNDO, ONDE A VONTADE É LEI
EM PLENA VIDA E VIOLÊNCIA
EM TEMPOS QUIS O MUNDO INTEIRO
EM TODA A NOITE O SONO NÃO VEIO. AGORA
EM TORNO A MIM, EM MARÉ CHEIA
EM TORNO AO CANDEEIRO DESOLADO
ENFIA, A AGULHA
ENTRE O LUAR E A FOLHAGEM
ENTRE O SONO E O SONHO
ENTRE O SOSSEGO E O ARVOREDO
EPITÁFIO DESCONHECIDO
EPITALÂMIO II
EPITALÂMIO XIV
ERA ISSO MESMO
ERAM VARÕES TODOS
EROS E PSIQUE
ESCUTA-ME PIEDOSAMENTE
ESTADO DE ALMA
EU AMO TUDO O QUE FOI
EU ME RESIGNO. HÁ NO ALTO DA MONTANHA
EU NO TEMPO NÃO CHORO QUE ME LEVE
EU SOU O DISFARÇADO, A MÁSCARA INSUSPEITA
EU SOU UMA ANTOLOGIA
EU TENHO IDEIAS E RAZÕES
EXÍGUA LÂMPADA TRANQUILA
FALHEI. OS ASTROS SEGUEM SEU CAMINHO
FELIZ DIA PARA QUEM É
FIQUEI DOIDO, FIQUEI TONTO?
FITO-ME FRENTE A FRENTE [1]
FITO-ME FRENTE A FRENTE [2]
FLOR QUE NÃO DURA
FLUI, INDECISO NA BRUMA
FOI UM MOMENTO
FÚRIA NAS TREVAS O VENTO
GATO QUE BRINCAS NA RUA
GLÁDIO
GLOSA
GLOSAS
GNOMOS DO LUAR QUE FAZ SELVAS
GOSTARA, REALMENTE
GRADUAL, DESDE QUE O CALOR
GRANDE SOL A ENTRETER
GRANDES MISTÉRIOS HABITAM
GUARDO AINDA, COMO UM PASMO
GUIA-ME A SÓ RAZÃO
HÁ EM TUDO QUE FAZEMOS
HÁ LUZ NO TOJO E NO BREJO
HÁ MÚSICA. TENHO SONO
HÁ NO FIRMAMENTO
HÁ QUANTO TEMPO NÃO CANTO
HÁ QUASE UM ANO NÃO ESCREVO
HÁ UM FRIO E UM VÁCUO NO AR
HÁ UM GRANDE SOM NO ARVOREDO
HÁ UM MURMÚRIO NA FLORESTA
HÁ UMA MÚSICA DO POVO
HINO A PÃ
HOJE ESTOU TRISTE, ESTOU TRISTE
HOJE QUE A TARDE É CALMA E O CÉU TRANQUILO
HOJE, NESTE ÓCIO INCERTO
HORA ABSURDA
HORA MORTA
HOUVE UM RITMO NO MEU SONO
I - A CRIANÇA QUE FUI CHORA NA ESTRADA
I - ABISMO
I - ANDEI LÉGUAS DE SOMBRA
I - ATRAVESSA ESTA PAISAGEM O MEU SONHO DUM PORTO INFINITO
I - PAIRA NO AMBÍGUO DESTINAR-SE
I - PLENILÚNIO
I - QUANDO, DESPERTOS DESTE SONO, A VIDA
I - SIM, FAREI...; E HORA A HORA PASSA O DIA...
I - SOAM VÃOS, DOLORIDO EPICURISTA
I. O INFANTE
II - DÓI VIVER, NADA SOU QUE VALHA SER
II - ILUMINA-SE A IGREJA POR DENTRO DA CHUVA DESTE DIA
II - MAS ANTES ERA O VERBO, AQUI PERDIDO
II - NA SOMBRA CLEÓPATRA JAZ MORTA
II - NEM DEFINI-LA, NEM ACHÁ-LA, A ELA
II - PASSOU
II - SAUDADE DADA
II. HORIZONTE
III - A GRANDE ESFINGE DO EGIPTO SONHA POR ESTE PAPEL DENTRO...
III - A VOZ DE DEUS
III - AH, MAS AQUI, ONDE IRREAIS ERRAMOS
III - ANÁLOGO COMEÇO
III - DE QUEM É O OLHAR
III - PIERROT BÊBADO
III - SÓ QUEM PUDER OBTER A ESTUPIDEZ
III. PADRÃO
INCIDENTE
INICIAÇÃO
INTERVALO
IRONIA
ISTO
IV - A QUEDA
IV - AS MINHAS ANSIEDADES CAEM
IV - DOURA O DIA. SILENTE, O VENTO DURA
IV - LEVA-ME LONGE, MEU SUSPIRO FUNDO
IV - MINUETE INVISÍVEL
IV - QUE PANDEIRETAS O SILÊNCIO DESTE QUARTO!...
IV. O MOSTRENGO
IX. ASCENSÃO DE VASCO DA GAMA
JÁ ESTOU TRANQUILO. JÁ NÃO ESPERO NADA
JÁ ME NÃO PESA TANTO O VIR DA MORTE
JÁ NÃO ME IMPORTO
JÁ NÃO VIVI EM VÃO
JÁ OUVI DOZE VEZES DAR A HORA
JULIANO EM ANTIOQUIA [A]
JULIANO EM ANTIOQUIA [B]
L HOMME
LÁ FORA A VIDA ESTUA E TEM DINHEIRO
LÁ FORA ONDE ÁRVORES SÃO
LADRAM UNS CÃES A DISTÂNCIA
LÂMPADA DESERTA
LEMBRO-ME BEM DO SEU OLHAR
LEMBRO-ME OU NÃO? OU SONHEI?
LENTA E QUIETA A SOMBRA VASTA
LEVAVA EU UM JARRINHO
LEVE NO CIMO DAS ERVAS
LEVE, BREVE, SUAVE
LEVES VÉUS VELAM, NUVENS VÃS, A LUA
LIBERDADE
LIGEIA
LONGE DE MIM EM MIM EXISTO
MAIS TRISTE DO QUE O QUE ACONTECE
MANHÃ DOS OUTROS! Ó SOL QUE DÁS CONFIANÇA
MAR. MANHÃ
MARAVILHA-TE, MEMÓRIA!
MARCHA FÚNEBRE
MARINHA
MAS EU, ALHEIO SEMPRE, SEMPRE ENTRANDO
MAS O HÓSPEDE INCONVIDADO
MELODIA TRISTE SEM PRANTO
MENDIGO DO QUE NÃO CONHECE
MEU CORAÇÃO ESTEVE SEMPRE
MEU CORAÇÃO TARDOU. MEU CORAÇÃO
MEU PENSAMENTO É UM RIO SUBTERRÂNEO
MEU PENSAMENTO, DITO, JÁ NÃO É
MEU POBRE PORTUGAL
MEU RUÍDO DE ALMA CALA
MEU SER VIVE NA NOITE E NO DESEJO
MEUS DIAS PASSAM, MINHA FÉ TAMBÉM
MEUS GESTOS NÃO SOU EU
MEUS VERSOS SÃO MEU SONHO DADO
MINHA MULHER, A SOLIDÃO
MINHAS MESMAS EMOÇÕES
MOMENTO IMPERCEPTÍVEL
MONTES, E A PAZ QUE HÁ NELES, POIS SÃO LONGE...
MÚSICA... QUE SEI EU DE MIM?
NA MARGEM VERDE DA ESTRADA
NA NOITE EM QUE NÃO DURMO
NA NOITE QUE ME DESCONHECE
NA ORLA DO VENTO MOVEM
NA PAZ DA NOITE, CHEIA DE TANTO DURAR
NA QUINTA ENTRE CIPRESTES
NA RIBEIRA DESTE RIO
NA SOMBRA DO MONTE ABIEGNO
NA VÉSPERA DE NADA
NADA QUE SOU ME INTERESSA
NADA. PASSARAM NUVENS E EU FIQUEI...
NÃO COMBATI: NINGUÉM MO MERECEU
NÃO CREIO AINDA NO QUE SINTO
NÃO DIGAS NADA!
NÃO DIGAS NADA! QUE HÁS-ME DE DIZER?
NÃO DIGAS QUE, SEPULTO, JÁ NÃO SENTE
NÃO É AINDA A NOITE
NÃO FIZ NADA, BEM SEI, NEM O FAREI
NÃO MEU, NÃO MEU É QUANTO ESCREVO
NÃO QUERO IR ONDE NÃO HÁ A LUZ
NÃO QUERO MAIS QUE UM SOM DE ÁGUA
NÃO QUERO ROSAS, DESDE QUE HAJA ROSAS
NÃO SEI O QUÊ DESGOSTA
NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO
NÃO SEI QUE DESGOSTA
NÃO SEI QUE SONHO ME NÃO DESCANSA
NÃO SEI SE É SONHO, SE REALIDADE
NÃO SEI SER TRISTE A VALER
NÃO SEI, AMA, ONDE ERA
NÃO TENHO QUE SONHAR QUE POSSAM DAR-ME
NÃO TENHO QUINTA NENHUMA
NÃO TRAGAS FLORES, QUE EU SOFRO...
NÃO VENHAS SENTAR-TE À MINHA FRENTE, NEM A MEU LADO
NÃO, NÃO É NESSE LAGO ENTRE ROCHEDOS
NÃO: NÃO DIGAS NADA!
NAS ENTRESSOMBRAS DE ARVOREDO
NAS GRANDES HORAS EM QUE A INSÓNIA AVULTA
NATAL
NATAL... NA PROVÍNCIA NEVA
NÁUSEA. VONTADE DE NADA
NESTA GRANDE OSCILAÇÃO
NESTA VIDA, EM QUE SOU MEU SONO
NESTE MUNDO EM QUE ESQUECEMOS
NO ALTO DA TUA SOMBRA, A PRUMO SOBRE
NO CÉU DA NOITE QUE COMEÇA
NO CHÃO DO CÉU O SOL QUE ACABA ARDE
NO COMBOIO DESCENDENTE
NO ENTARDECER DA TERRA
NO FIM DA CHUVA E DO VENTO
NO FIM DO MUNDO DE TUDO
NO FUNDO DO PENSAMENTO
NO LIMIAR QUE NÃO É MEU
NO MAL-ESTAR EM QUE VIVO
NO MEU SONHO ESTIOLARAM
NO OURO SEM FIM DA TARDE MORTA
NOS JARDINS MUNICIPAIS
NOVA ILUSÃO
NUVENS SOBRE A FLORESTA...
O ABISMO É O MURO QUE TENHO
O ALENTEJO VISTO DO COMBOIO
O AMOR É QUE É ESSENCIAL
O AMOR QUE EU TENHO NÃO ME DEIXA ESTAR
O AMOR, QUANDO SE REVELA
O ANDAIME
O CARRO DE PAU
O CÉU DE TODOS OS INVERNOS
O CONTRA-SÍMBOLO
Ó CURVA DO HORIZONTE, QUEM TE PASSA
O DESTINO: AS MINHAS MÃOS INVISÍVEIS
Ó ERVAS FRESCAS QUE COBRIS
O FADO CANTADO À GUITARRA
O GRANDE SOL NA EIRA
O ÍBIS, AVE DO EGIPTO
Ó JULIANO APÓSTATA, QUE LAÇO
O LOUCO
O MAU AROMA ALACRE
O MENINO DA SUA MÃE
O MEU CORAÇÃO QUEBROU-SE
O MEU SENTIMENTO É CINZA
O MEU TÉDIO NÃO DORME
O MUNDO RUI A MEU REDOR, ESCOMBRO A ESCOMBRO
Ó NAUS FELIZES, QUE DO MAR VAGO
O PESO DE HAVER O MUNDO
O PONTEIRO DOS SEGUNDOS
O QUE É VIDA E O QUE É MORTE
O QUE EU FUI O QUE É?
O QUE ME DÓI NÃO É
O QUE O SEU JEITO REVELA
O RIO QUE PASSA DURA
O RUÍDO VÁRIO DA RUA
Ó SINO DA MINHA ALDEIA
O SOBA DE BIKÁ — TRAJÉDIA
O SOL ÀS CASAS, COMO A MONTES
O SOL DOIRAVA-TE A CABEÇA LOURA
O SOL QUE DOURA AS NEVES AFASTADAS
O SOL QUEIMA O QUE TOCA
O SOM CONTÍNUO DA CHUVA
O SOM DO RELÓGIO
O SONHO QUE SE OPÔS A QUE EU VIVESSE
Ó SORTE DE OLHAR MESQUINHO
O ÚLTIMO SORTILÉGIO
O VENTO SOPRA LÁ FORA
O VENTO TEM VARIEDADE
O VÉU DAS LÁGRIMAS NÃO CEGA
OCA DE CONTER-ME
OIÇO PASSAR O VENTO NA NOITE
OIÇO, COMO SE O CHEIRO
OLHA-ME RINDO UMA CRIANÇA
OLHANDO O MAR, SONHO SEM TER DE QUÊ
ONDA QUE, ENROLADA, TORNAS
ONDE A SERENATA?
ONDE O SOSSEGO DORME
ONDE PUS A ESPERANÇA, AS ROSAS
ONDE QUER QUE O ARADO O SEU TRAÇO CONSIGA
ONDE, EM JARDINS EXAUSTOS
OS DEUSES, NÃO OS REIS, SÃO OS TIRANOS
OS TEUS OLHOS AZUIS SÃO COR DO CÉU
OSCILA O INCENSÓRIO ANTIGO
OUÇO SEM VER, E ASSIM, ENTRE O ARVOREDO
OUTRORA
OUTROS TERÃO
OUVI OS SÁBIOS TODOS DISCUTIR
PAIRA À TONA DE ÁGUA
PAISAGENS, QUERO-AS COMIGO
PÁLIDA SOMBRA ESVOAÇA
PÁLIDA, A LUA PERMANECE
PARA ADORAR A BELEZA
PARECE ÀS VEZES QUE DESPERTO
PARECE ESTAR CALOR, MAS NASCE
PARECE QUE ESTOU SOSSEGANDO
PASSA ENTRE AS SOMBRAS DE ARVOREDO
PASSA UMA NUVEM PELO SOL
PASSAM NA RUA OS CORTEJOS
PASSAVA EU NA ESTRADA PENSANDO IMPRECISO
PASSOS TARDAM NA RELVA
PAÚIS
PAUIS
PEDROUÇOS
PELA RUA JÁ SERENA
PELO PLAINO SEM CAMINHO
PIA NÚMERO SEIS
PIA, PIA, PIA
POBRE ESPANHA, JÁ SEM TER
POBRE VELHA MÚSICA!
PÕE-ME AS MÃOS NOS OMBROS...
POEMA
POEMA DE AMOR EM ESTADO NOVO
POEMA PIAL
POIS CAI UM GRANDE E CALMO EFEITO
POR QUEM FOI QUE ME TROCARAM
POR TRÁS DAQUELA JANELA
PORQUE É QUE UM SONO AGITA
PORQUE ESQUECI QUEM FUI QUANDO CRIANÇA?
PORQUE O OLHAR DE QUEM NÃO MERECE
PORQUE SOU TÃO TRISTE IGNORO
PORQUE VIVO, QUEM SOU, O QUE SOU, QUEM ME LEVA?
PORQUE, Ó SAGRADO, SOBRE A MINHA VIDA
POUCO IMPORTA DE ONDE A BRISA
POUSA UM MOMENTO
PRESSÁGIO
PRIMEIRA: D. DUARTE, REI DE PORTUGAL
PRIMEIRO: D. SEBASTIÃO
PRIMEIRO: NOITE
PRIMEIRO: O BANDARRA
PRIMEIRO: O DOS CASTELOS
PRIMEIRO: ULISSES
PUDESSE EU COMO O LUAR
QUAL É A TARDE POR ACHAR
QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA A PARTE [1]
QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA A PARTE [2]
QUALQUER COISA DE OBSCURO PERMANECE
QUALQUER MÚSICA
QUANDO AS CRIANÇAS BRINCAM
QUANDO É QUE O CATIVEIRO
QUANDO ERA CRIANÇA
QUANDO ERA JOVEM, EU A MIM DIZIA
QUANDO ESTOU SÓ RECONHEÇO
QUANDO JÁ NADA NOS RESTA
QUANDO, COM RAZÃO OU SEM
QUANTO FUI JAZ. QUANTO SEREI NÃO SOU
QUANTO FUI PEREGRINO
QUARTA: D. JOÃO, INFANTE DE PORTUGAL
QUARTO: ANTEMANHÃ
QUARTO: AS ILHAS AFORTUNADAS
QUARTO: D. TAREJA
QUASE ANÓNIMA SORRIS
QUE COISA DISTANTE
QUE FÚTIL TODA ESSA TRISTEZA
QUE LINDA É QUEM NÃO ÉS!
QUE SUAVE É O AR! COMO PARECE
QUEM BATE À MINHA PORTA
QUEM ME AMARROU A SER EU
QUEM ME ROUBOU QUEM NUNCA FUI E A VIDA?
QUEM VENDE A VERDADE, E A QUE ESQUINA?
QUERO DORMIR. NÃO SEI SE QUERO A MORTE
QUERO SER LIVRE INSINCERO
QUERO, TEREI?
QUINTA: D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL
QUINTO: D. AFONSO HENRIQUES
QUINTO: NEVOEIRO
QUINTO: O ENCOBERTO
REDEMOINHA O VENTO
RELÓGIO, MORRE
RENEGO, LÁPIS PARTIDO
REPOUSA SOBRE O TRIGO
RONDEAU - FAZ NOITE EM MEU CORAÇÃO
S. DÂMASO PORTUGUÊS
SABER? QUE SEI EU?
SABES QUEM SOU? EU NÃO SEI
SANGRA-ME O CORAÇÃO. TUDO QUE PENSO
SANTO ANTÓNIO
SÃO JOÃO
SÃO PEDRO
SCHEHERAZAD
SE ACASO, ALHEADO ATÉ DO QUE SONHEI
SE ALGUÉM BATER UM DIA À TUA PORTA
SE ESTOU SÓ, QUERO NÃO ESTAR
SE EU ME SENTIR SONO
SE EU PUDESSE NÃO TER O SER QUE TENHO
SE EU, AINDA QUE NINGUÉM
SE HÁ ARTE OU CIÊNCIA PARA LER A SINA
SE PENSO MAIS QUE UM MOMENTO
SE SOU ALEGRE OU SOU TRISTE?...
SE TUDO O QUE HÁ É MENTIRA
SEGUNDA: D. FERNANDO, INFANTE DE PORTUGAL
SEGUNDO: ANTÓNIO VIEIRA
SEGUNDO: O DAS QUINAS
SEGUNDO: O QUINTO IMPÉRIO
SEGUNDO: TORMENTA
SEGUNDO: VIRIATO
SEI BEM QUE NÃO CONSIGO
SEI QUE NUNCA TEREI O QUE PROCURO
SENHOR, MEU PASSO ESTÁ NO LIMIAR
SEPULTO VIVE QUEM É A OUTREM DADO
SER CONSCIENTE É TALVEZ UM ESQUECIMENTO
SERENA VOZ IMPERFEITA, ELEITA
SERVO SEM DOR DE UM DESOLADO INTUITO
SÉTIMO (I): D. JOÃO O PRIMEIRO
SÉTIMO (II): D. FILIPA DE LENCASTRE
SEXTO: D. DINIS
SIM, É O ESTADO NOVO
SIM, JÁ SEI...
SIM, TUDO É CERTO LOGO QUE O NÃO SEJA
SIM, VEM UM CANTO NA NOITE
SOB OLHOS QUE NÃO OLHAM - OS MEUS OLHOS
SOL NULO DOS DIAS VÃOS
SONHEI, CONFUSO, E O SONO FOI DISPERSO
SONHEI. DESPERTO. UM TÉDIO DOLOROSO
SONHO SEM FIM NEM FUNDO
SOPRA DE MAIS O VENTO
SOPRA O VENTO, SOPRA O VENTO
SORRISO AUDÍVEL DAS FOLHAS
SOU O ESPÍRITO DA TREVA
SOU O FANTASMA DE UM REI
SOU UM EVADIDO
SÚBITA MÃO DE ALGUM FANTASMA OCULTO
TALHEI, ARTÍFICE DE UM MORTO RITO
TALVEZ QUE SEJA A BRISA
TÃO LINDA E FINDA A MEMORO!
TÃO VAGO É O VENTO QUE PARECE
TECE, AMOR, AS GRINALDAS COM QUE QUERES
TÉDIO
TENHO DÓ DAS ESTRELAS
TENHO EM MIM COMO UMA BRUMA
TENHO ESCRITO MUITOS VERSOS
TENHO ESPERANÇA? NÃO TENHO
TENHO PENA ATÉ... NEM SEI...
TENHO PENA E NÃO RESPONDO
TENHO SONO EM PLENO DIA
TENHO TAL SONO QUE PENSAR É UM MAL
TENHO TANTO SENTIMENTO
TERCEIRA: D. PEDRO, REGENTE DE PORTUGAL
TERCEIRO CORPO DAS PROFECIAS DE [...] BANDARRA
TERCEIRO: CALMA
TERCEIRO: ESCREVO MEU LIVRO À BEIRA-MÁGOA
TERCEIRO: O CONDE D. HENRIQUE
TERCEIRO: O DESEJADO
TEU CORPO REAL QUE DORME
TEU INÚTIL DEVER
TEU PERFIL, TEU OLHAR REAL OU FEITO
TEUS OLHOS CONTAS ESCURAS
TODAS AS COISAS QUE HÁ NESTE MUNDO
TOMÁMOS A VILA DEPOIS DUM INTENSO BOMBARDEAMENTO
TREME EM LUZ A ÁGUA
TRILA NA NOITE UMA FLAUTA. É DE ALGUM
TUDO FOI DITO ANTES QUE SE DISSESSE
TUDO QUANTO PENSO
TUDO QUANTO SONHEI TENHO PERDIDO
TUDO QUE AMEI, SE É QUE O AMEI, IGNORO
TUDO QUE FAÇO OU MEDITO
TUDO QUE SINTO, TUDO QUANTO PENSO
TUDO QUE SOU NÃO É MAIS DO QUE ABISMO
TUDO, MENOS O TÉDIO, ME FAZ TÉDIO
UM CANSAÇO FELIZ, UMA TRISTEZA INFORME
UM DEUS CANSADO [DE] SER DEUS EM VÃO
UM DIA BAÇO MAS NÃO FRIO...
UM MURO DE NUVENS DENSAS
UMA MAIOR SOLIDÃO
UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA
UNIVERSAL LAMENTO
V - BRAÇO SEM CORPO BRANDINDO UM GLÁDIO
V - BRAÇOS CRUZADOS, SEM PENSAR NEM CRER
V - HIEMAL
V - LÁ FORA VAI UM REDEMOINHO DE SOL OS CAVALOS DO CARROUSSEL...
V - PORQUE ABREM AS COISAS ALAS PARA EU PASSAR?
V. EPITÁFIO DE BARTOLOMEU DIAS
VAGA SAUDADE, TANTO
VAGA, NO AZUL AMPLO SOLTA
VAI ALTA A NUVEM QUE PASSA
VAI ALTO PELA FOLHAGEM
VAI LÁ LONGE, NA FLORESTA
VAI LEVE A SOMBRA
VAI PELA ESTRADA QUE NA COLINA
VAI REDONDA E ALTA
VÃO BREVES PASSANDO
VÃO NA ONDA MILITAR
VÊ-LA FAZ PENA DE ESPERANÇA
VEJO PASSAR OS BARCOS PELO MAR
VELO, NA NOITE EM MIM
VEM DOS LADOS DA MONTANHA
VENDAVAL
VENTO QUE PASSAS
VERDADEIRAMENTE
VI - O MAESTRO SACODE A BATUTA
VI - Ó SONO - OH! ILUSÃO! - O SONO?
VI PASSAR, NUM MISTÉRIO CONCEDIDO
VI. OS COLOMBOS
VIAJAR! PERDER PAÍSES!
VII. OCIDENTE
VIII - AH QUANTAS MÁSCARAS E SUBMÁSCARAS
VIII. FERNÃO DE MAGALHÃES
VINHA ELEGANTE, DEPRESSA
VISÃO
VOU COM UM PASSO COMO DE IR PARAR
VOU EM MIM COMO ENTRE BOSQUES
X. MAR PORTUGUÊS
XI. A ÚLTIMA NAU
XII. PRECE
 
:: SONETOS ::
 
A PARTE DO INDOLENTE É A ABSTRACTA VIDA
ABDICAÇÃO
ADEUS…
AS TUAS MÃOS TERMINAM EM SEGREDO
DEIXEI DE SER AQUELE QUE ESPERAVA
DORMI, SONHEI. NO INFORME LABIRINTO
EU
RALA CAI CHUVA. O AR NÃO É ESCURO. A HORA
SONETO 01 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 02 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 03 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 04 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 05 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 06 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 07 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 08 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 09 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 10 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 11 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 12 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 13 [PASSOS DA CRUZ]
SONETO 14 [PASSOS DA CRUZ]
 
:: HOMENAGENS ::
 
À MEMÓRIA DO PRESIDENTE-REI SIDÓNIO PAIS
D. PEDRO V
NUN ÁLVARES PEREIRA
SÁ CARNEIRO
SACADURA CABRAL
[1] A CABEÇA DO GRIFO: O INFANTE D. HENRIQUE
[2] UMA ASA DO GRIFO: D. JOÃO O SEGUNDO
[3] A OUTRA ASA DO GRIFO: AFONSO DE ALBUQUERQUE
A MORTE É A CURVA DA ESTRADA

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

 

© FERNANDO PESSOA
23-5-1932
In Poesias, 1942
Ed. Ática, Lisboa

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