MADRUGADA CAMPONESA

Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite
a manhã já vai chegar.

Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.

Breve há de ser
sinto no ar
tempo de trigo maduro
vai ser tempo de ceifar
Já se levantam prodígios
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão
um leite novo minando
no meu longe seringal.

Madrugada da esperança
já é quase tempo de amor
colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana
minha alma no seu pendão.

madrugada Camponesa
faz escuro (já nem tanto)
vale a pena trabalhar
faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.

© THIAGO DE MELLO
In Faz escuro mas eu canto, 1965

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Comentários (1)

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tiago (sem "h"!) · 02/08/2015, às 22h20

"Faz escuro, mas eu canto ..." Há poesia melhor para celebrar o Quarto Congresso (12.07-17.07.2015) da Comissão Pastoral da Terra (CPT)? Foi em Porto Velho, RO., e celebrando os 40 anos da CPT - na Memória - na Rebeldia - na Esperança "Faz escuro mas eu canto ... (nós cantamos!) porque a manhã vai chegar."

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