AS DUAS SOMBRAS

Na encruzilhada silenciosa do Destino,
Quando as estrelas se multiplicaram,
Duas sombras errantes se encontraram.

A primeira falou: — “Nasci de um beijo
De luz; sou força, vida, alma, esplendor.
Trago em mim toda a sede do Desejo,
Toda a ânsia do Universo... Eu sou o amor.

O mundo sinto exânime a meus pés...
Sou delírio... Loucura... E tu, quem és?”

— “Eu nasci de uma lágrima. Sou flama
Do teu incêndio que devora...
Vivo, dos olhos tristes de quem ama,
Para os olhos nevoentos de quem chora.
Dizem que ao mundo vim para ser boa,
Para dar do meu sangue a quem me queira.
Sou a Saudade, a tua companheira
Que punge, que consola e que perdoa...”

Na encruzilhada silenciosa do Destino,
As duas sombras comovidas se abraçaram
E de então, nunca mais se separaram.

© OLEGÁRIO MARIANO
In Água Corrente, 1918


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Comentários (2)

saudades, em 1970, recebi o poema as duas sombras de uma amiga...
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Déborah Almeida Dias · 01/12/2017, às 20h59

Tenho um caderno onde repasso todas as coisas lindas que leio ou recebo. Esta ode ao belo amor vez parte dos meus sonhos de adolescente e juventude. Fala direto ao coração.

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