SONETO DE ABRIL

Agora que é abril, e o mar se ausenta,
secando-se em si mesmo como um pranto,
vejo que o amor que te dedico aumenta
seguindo a trilha de meu próprio espanto.

Em mim, o teu espírito apresenta
todas as sugestões de um doce encanto
que em minha fonte não se dessedenta
por não ser fonte d′água, mas de canto.

Agora que é abril, e vão morrer
as formosas canções dos outros meses,
assim te quero, mesmo que te escondas:

amar-te uma só vez todas as vezes
em que sou carne e gesto, e fenecer
como uma voz chamada pelas ondas.

© LÊDO IVO
In Acontecimento do Soneto, 1948

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Comentários (2)

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GEDIEL PAPA GONCALVES · 19/04/2017, às 11h13

É um dos primeiros poemas que me lembro de ter lido, este me fez gostar de poesia.
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GEDIEL PAPA GONCALVES · 19/04/2017, às 11h13

É um dos primeiros poemas que me lembro de ter lido, este me fez gostar de poesia.

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