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PRÓLOGO [PRIMEIROS CANTOS]
LEITO DE FOLHAS VERDES

Porque tardas, Jatyr, que tanto a custo
A voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d′alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca virão,
Não sentirão meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatyr, que não as tuas
A arasoya na cinta me apertarão.

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogarí mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatyr; nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! Lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!

© GONÇALVES DIAS
In Últimos Cantos, 1851
Poesias Americanas

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Comentários (2)

eu adorei o poema , muito bonito .
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ROBERT FRANKLIN CARNEIRO · 19/04/2016, às 18h43

Onde está escrito erroneamente "virão" e "sentirão" é "viram" e "sentiram", respectivamente.

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