SONETO DA HORA FINAL

Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo
E tu, tranqüila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente triste e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.

© VINÍCIUS DE MORAES
In Livro de Sonetos, 1967

Notas:
1. Montevidéu, 07.1960
2. A obra completa de Vinicius de Moraes está disponível no site viniciusdemoraes.com.br

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Comentários (3)

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Pedro Leite de Moraes Filho · 23/04/2017, às 19h15

Preciso do gabarito
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Pedro Leite de Moraes Filho · 23/04/2017, às 19h16

Preciso do gabarito
Gostaria muito do gabarto, por favor.Lourdes c deuner rs

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