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:: POESIAS ::
 
A ABELHA QUE, VOANDO, FREME SOBRE
A CADA QUAL, COMO A ESTATURA, É DADA
A FLOR QUE ÉS, NÃO A QUE DÁS, EU QUERO [2]
A FOLHA INSCIENTE, ANTES QUE A PRÓPRIA MORRA
A MÃO INVISÍVEL DO VENTO ROÇA POR CIMA DAS ERVAS. [À LA MANIÈRE DE A. CAEIRO]
A NADA IMPLORAM TUAS MÃOS JÁ COISAS
A PALIDEZ DO DIA É LEVEMENTE DOURADA
A VIDA É TRISTE. O CÉU É SEMPRE O MESMO. A HORA
ACIMA DA VERDADE ESTÃO OS DEUSES
AGUARDO, EQUÂNIME, O QUE NÃO CONHEÇO
AMO O QUE VEJO PORQUE DEIXAREI
ANJOS OU DEUSES, SEMPRE NÓS TIVEMOS
ANTES DE NÓS NOS MESMOS ARVOREDOS
ANTES DE TI ERA A MÃE TERRA ESCRAVA
AO LONGE OS MONTES TÊM NEVE AO SOL
AOS DEUSES PEÇO SÓ QUE ME CONCEDAM
AQUI, DIZEIS, NA COVA A QUE ME ABEIRO
AQUI, NEERA, LONGE
AQUI, NESTE MISÉRRIMO DESTERRO
ATRÁS NÃO TORNA, NEM, COMO ORFEU, VOLVE
AZUIS OS MONTES QUE ESTÃO LONGE PARAM
BOCAS ROXAS DE VINHO
BREVE O DIA, BREVE O ANO, BREVE TUDO
BREVE O INVERNO VIRÁ COM SUA BRANCA
CADA COISA A SEU TEMPO TEM SEU TEMPO
CADA DIA SEM GOZO NÃO FOI TEU
CADA MOMENTO QUE A UM PRAZER NÃO VOTO
CADA UM CUMPRE O DESTINO QUE LHE CUMPRE
CADA UM É UM MUNDO; E COMO EM CADA FONTE
CANTOS, RISOS E FLORES ALUMIEM
CEDO DEMAIS VEM SEMPRE, CLOÉ, O INVERNO
COM QUE VIDA ENCHEREI OS POUCOS BREVES
COMO ESTE INFANTE QUE ALOURADO DORME
CONCENTRA-TE, E SERÁS SERENO E FORTE
COROAI-ME DE ROSAS [2]
COROAI-ME DE ROSAS! [3]
CUIDAS TU, LOUCO FLACO, QUE APERTANDO [1]
CUMPRE A LEI, SEJA VIL OU VIL TU SEJAS
DA LÂMPADA NOTURNA
DA NOSSA SEMELHANÇA COM OS DEUSES
DE APOLO O CARRO RODOU PRA FORA
DE UMA SÓ VEZ RECOLHE
DÉBIL NO VÍCIO, DÉBIL NA VIRTUDE
DEIXA PASSAR O VENTO
DEIXEMOS, LÍDIA, A CIÊNCIA QUE NÃO PÕE
DIA APÓS DIA A MESMA VIDA É A MESMA
DO QUE QUERO RENEGO, SE O QUERÊ-LO
DOCE É O FRUTO À VISTA, E À BOCA AMARO
DOIS É O PRAZER: GOZAR E O GOZÁ-LO
DOMINA OU CALA. NÃO TE PERCAS, DANDO
E QUANTO SEI DO UNIVERSO É QUE ELE
É TÃO SUAVE A FUGA DESTE DIA
EM CERES ANOITECE
EM VÃO PROCURO O BEM QUE ME NEGARAM
ENQUANTO EU VIR O SOL LUZIR NAS FOLHAS
ESTÁS SÓ. NINGUÉM O SABE. CALA E FINGE
ESTE, SEU ESCASSO CAMPO ORA LAVRANDO [2]
EU NUNCA FUI DOS QUE A UM SEXO O OUTRO
FAZER PARAR O GIRO SOBRE SI
FELIZ AQUELE A QUEM A VIDA GRATA
FELIZES, CUJOS CORPOS SOB AS ÁRVORES
FLORES AMO, NÃO BUSCO. SE APARECEM
FLORES QUE COLHO, OU DEIXO
FLORESCE EM TI, Ó MAGNA TERRA, EM CORES
FOLHA APÓS FOLHA VEMOS CAEM
FRUTOS, DÃO-OS AS ÁRVORES QUE VIVEM
FUI FORTE, VENCI AS MISÉRIAS DA ALMA COM A ALMA TODA
GOZO SONHADO É GOZO, AINDA QUE EM SONHO
GRINALDA OU COROA
HÁ UMA COR QUE ME PERSEGUE E QUE EU ODEIO
HORA A HORA NÃO DURA A FACE ANTIGA
I - SEGURO ASSENTO NA COLUNA FIRME [1]
II - AS ROSAS AMO DOS JARDINS DE ADÓNIS
III - O MAR JAZ; GEMEM EM SEGREDO OS VENTOS [1]
INGLÓRIA É A VIDA, E INGLÓRIO O CONHECÊ-LA
ININTERRUPTO E UNIDO GUIA O TEU CURSO
IV - NÃO CONSENTEM OS DEUSES MAIS QUE A VIDA
IX - COROAI-ME DE ROSAS [1]
JÁ SOBRE A FRONTE VÃ SE ME ACINZENTA
JOVEM MORRESTE, PORQUE REGRESSASTE
LENTA, DESCANSA A ONDA QUE A MARÉ DEIXA
LÍDIA, IGNORAMOS. SOMOS ESTRANGEIROS
MAIOR É QUEM A PASSO E PASSO AVANÇA
MANHÃ QUE RAIAS SEM OLHAR A MIM
MESTRE, SÃO PLÁCIDAS
NADA FICA DE NADA. NADA SOMOS [1]
NÃO A TI, CRISTO, ODEIO OU MENOSPREZO
NÃO A TI, CRISTO, ODEIO OU TE NÃO QUERO
NÃO A TI, MAS AOS TEUS, ODEIO, CRISTO
NÃO CANTO A NOITE PORQUE NO MEU CANTO
NÃO COMO ANTE DONZELA OU MULHER VIVA
NÃO CONSENTEM OS DEUSES MAIS QUE A VIDA [2]
NÃO INQUIRO DO ANÔNIMO FUTURO
NÃO MAIS PENSADA QUE A DOS MUDOS BRUTOS
NÃO MORRERAM, NEERA, OS VELHOS DEUSES
NÃO PORQUE OS DEUSES FINDARAM, ALVA LÍDIA, CHORO
NÃO PRA MIM MAS PRA TI TEÇO AS GRINALDAS
NÃO QUERO AS OFERENDAS
NÃO QUERO RECORDAR NEM CONHECER-ME
NÃO SEI DE QUEM RECORDO MEU PASSADO
NÃO SEI SE É AMOR QUE TENS, OU AMOR QUE FINGES
NÃO SEM LEI, MAS SEGUNDO LEIS DIVERSAS
NÃO SÓ QUEM NOS ODEIA OU NOS INVEJA
NÃO SÓ VINHO, MAS NELE O OLVIDO, DEITO
NÃO TENHAS NADA NAS MÃOS [1]
NÃO TENHAS NADA NAS MÃOS [2]
NÃO TORNA AO RAMO A FOLHA QUE O DEIXOU
NEERA, PASSEEMOS JUNTOS
NEM DA ERVA HUMILDE SE O DESTINO ESQUECE
NESTE DIA EM QUE OS CAMPOS SÃO DE APOLO
NINGUÉM A OUTRO AMA, SENÃO QUE AMA
NINGUÉM, NA VASTA SELVA VIRGEM
NO BREVE NÚMERO DE DOZE MESES
NO CICLO ETERNO DAS MUDÁVEIS COISAS
NO GRANDE ESPAÇO DE NÃO HAVER NADA
NO MAGNO DIA ATÉ OS SONS SÃO CLAROS
NO MOMENTO EM QUE VAMOS PELOS PRADOS
NO MUNDO, SÓ COMIGO, ME DEIXARAM
NOS ALTOS RAMOS DE ÁRVORES FRONDOSAS
NUNCA A ALHEIA VONTADE, INDA QUE GRATA
O ANEL DADO AO MENDIGO É INJÚRIA, E A SORTE
O DEUS PÃ NÃO MORREU
O MAR JAZ. GEMEM EM SEGREDO OS VENTOS [2]
O QUE SENTIMOS, NÃO O QUE É SENTIDO
O RELÓGIO DE SOL PARTIDO MARCA
O RITMO ANTIGO QUE HÁ NOS PÉS DESCALÇOS
O SONO É BOM POIS DESPERTAMOS DELE
OLHO OS CAMPOS, NEERA [2]
OLHO OS CAMPOS, NEERA [3]
OLHO OS CAMPOS, NEERA [4]
OS DEUSES DESTERRADOS [1]
OS DEUSES E OS MESSIAS QUE SÃO DEUSES
OS DEUSES SÃO FELIZES.
OUTROS COM LIRAS OU COM HARPAS NARRAM
OUVI CONTAR QUE OUTRORA, QUANDO A PÉRSIA
PARA OS DEUSES AS COISAS SÃO MAIS COISAS [1]
PARA SER GRANDE, SÊ INTEIRO: NADA
PEQUENA VIDA CONSCIENTE, SEMPRE
PEQUENO É O ESPAÇO QUE DE NÓS SEPARA
PESA O DECRETO ATROZ DO FIM CERTEIRO
PESE A SENTENÇA IGUAL DA IGNOTA MORTE
POBRES DE NÓS QUE PERDEMOS QUANTO
PREFIRO ROSAS, MEU AMOR, À PÁTRIA
QUANDO, LÍDIA, VIER O NOSSO OUTONO
QUANTA TRISTEZA E AMARGURA AFOGA
QUANTO FAÇAS, SUPREMAMENTE FAZE
QUATRO VEZES MUDOU A ESTAÇÃO FALSA
QUE MAIS QUE UM LUDO OU JOGO É A EXTENSA VIDA
QUEM DIZ AO DIA, DURA! E À TREVA, ACABA!
QUEM ÉS, NÃO O SERÁS, QUE O TEMPO E A SORTE
QUEM FUI É EXTERNO A MIM. SE LEMBRO, VEJO
QUER POUCO: TERÁS TUDO
QUERO DOS DEUSES SÓ QUE ME NÃO LEMBREM
QUERO IGNORADO, E CALMO
QUERO VERSOS QUE SEJAM COMO JÓIAS
QUERO, DA VIDA, SÓ NÃO CONHECÊ-LA
QUERO, NEERA, QUE OS TEUS LÁBIOS LAVES
QUIS QUE COMIGO VÍSSEIS
RASTEJA MOLE PELOS CAMPOS ERMOS
SÁBIO É O QUE SE CONTENTA COM O ESPETÁCULO DO MUNDO
SE A CADA COISA QUE HÁ UM DEUS COMPETE
SÊ DONO DE TI
SE EM VERDADE NÃO SABES (NEM SUSTENTAS
SE HÁS-DE SER O QUE CHORAS
SE JÁ NÃO TORNA A ETERNA PRIMAVERA
SÊ LANTERNA, SÊ LUZ COM VIDRO EM TORNO
SE RECORDO QUEM FUI, OUTREM ME VEJO
SEGUE O TEU DESTINO
SEGURO ASSENTO NA COLUNA FIRME [ 2]
SEGURO ASSENTO NA COLUNA FIRME [ 3]
SERENO AGUARDA O FIM QUE POUCO TARDA
SEVERO NARRO. QUANTO SINTO, PENSO
SIM, SEI BEM
SÓ ESTA LIBERDADE NOS CONCEDEM
SÓ O TER FLORES PELA VISTA FORA
SOB A LEVE TUTELA
SOB ESTAS ÁRVORES OU AQUELAS ÁRVORES
SOFRO, LÍDIA, DO MEDO DO DESTINO [1]
SOFRO, LÍDIA, DO MEDO DO DESTINO [2]
SOLENE PASSA SOBRE A FÉRTIL TERRA
SÚDITO INÚTIL DE ASTROS DOMINANTES
TÃO CEDO PASSA TUDO QUANTO PASSA!
TARDA O VERÃO. NO CAMPO TRIBUTÁRIO
TÉNUE, COMO SE DE ÉOLO A ESQUECESSEM
TIREM-ME OS DEUSES
TODA A VISÃO DA CRENÇA SE ACOMPANHA
TORNAR-TE-ÁS SÓ QUEM TU SEMPRE FOSTE
TUDO QUE CESSA É MORTE, E A MORTE É NOSSA
TUDO, DESDE ERMOS ASTROS AFASTADOS
UM VERSO REPETE
UMA APÓS UMA AS ONDAS APRESSADAS
UMA COR ME PERSEGUE NA LEMBRANÇA
UNS, COM OS OLHOS POSTOS NO PASSADO
V - COMO SE CADA BEIJO
VEM SENTAR-TE COMIGO, LÍDIA, À BEIRA DO RIO
VI - O RITMO ANTIGO QUE HÁ EM PÉS DESCALÇOS [1]
VII - PONHO NA ALTIVA MENTE O FIXO ESFORÇO
VIII - QUÃO BREVE TEMPO É A MAIS LONGA VIDA
VIVEM EM NÓS INÚMEROS
VÓS QUE, CRENTES EM CRISTOS E MARIAS
VOSSA FORMOSA JUVENTUDE LEDA
VOU DORMIR, DORMIR, DORMIR
X - MELHOR DESTINO QUE O DE CONHECER-SE
XI - TEMO, LÍDIA, O DESTINO. NADA É CERTO
XII - A FLOR QUE ÉS, NÃO A QUE DÁS, EU QUERO
XIII - OLHO OS CAMPOS, NEERA [1]
XIV - DE NOVO TRAZ AS APARENTES NOVAS
XIX - PRAZER, MAS DEVAGAR
XV - ESTE, SEU ESCASSO CAMPO ORA LAVRANDO [1]
XVI - TUAS, NÃO MINHAS, TEÇO ESTAS GRINALDAS
XVII - NÃO QUEIRAS, LÍDIA, EDIFICAR NO ESPAÇO [1]
XVIII - SAUDOSO JÁ DESTE VERÃO QUE VEJO
XX - CUIDAS, ÍNVIO, QUE CUMPRES, APERTANDO
 
:: OUTROS TEXTOS ::
 
QUANDO HÁ ALGUMA COISA DE BELO A DIZER EM VIDA, ESCULPE-SE
II - AS ROSAS AMO DOS JARDINS DE ADÓNIS

As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.

© RICARDO REIS
11-7-1914
In Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa, 1946
Ática, Lisboa (imp. 1994)

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