II - AS ROSAS AMO DOS JARDINS DE ADÓNIS

As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.

 11-7-1914

© RICARDO REIS
In Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa, 1946
Ática, Lisboa (imp. 1994)


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