II - A PRAÇA DA FIGUEIRA DE MANHÃ

II

A Praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.

Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu
Porque o amo? Não importa nada. Adiante...

Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar pra elas.
Nenhuma d′elas em mim é serena...

De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros, ou as que não há.

© ÁLVARO DE CAMPOS
In Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa, 1993
“Três Sonetos”
Teresa Rita Lopes. Ed. Estampa, Lisboa

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