SONETO LXXXI [AMOR É UM FOGO QUE ARDE SEM SE VER]

LXXXI

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode o seu favor
Nos mortais corações conformidade,
Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?

© LUIZ VAZ DE CAMÕES
In Obras de Luíz de Camões (Vol. II), 1861
Pelo Visconde de Juromenha

NOTA:
1. ortografia atualizada

FONTE(S) DO(S) ÁUDIO(S):

Declamadora: Rita Collidge
Arquivo de áudio gentilmente cedido à Voz da Poesia
© Todos os direitos reservados
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