HOMO INFIMUS

Homem, carne sem luz, criatura cega,
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam... Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.

Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: - o de chorar!


© AUGUSTO DOS ANJOS
Eu e outras poesias, 1920

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Comentários (1)

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Manoel P. de luna · 07/03/2015, às 03h08

Para quê tecer comentários sobre a natureza humana. Ela já se basta por estar muito ligada ao irracional. Nos dias de hoje encontramos pessoas que beijam na boca, os seus cachorros e os tratam como seus semelhantes. Oferecem à eles seu mais requintado farnel e dormem com ele em suas próprias camas. Entretanto, sua vizinha, uma criança esquálida, moribunda não recebe dela um mísero olhar.

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