POEMA [O GALO BRANCO ADORMECEU]

O Galo Branco adormeceu.
A noite em flor palpita.
O sopro da terra traz
O cheiro dos vergéis
E a exalação da vida,
Que faz crescer e mover-se
A cega natureza.

O Galo Branco adormeceu.
E as estrelas no céu amadurecem.
A luz se debruça sobre as campinas,
Sobre as águas nascendo
E o sobre o mar quieto e lívido.

O Galo Branco adormeceu.
O vento antigo
Afaga a sua crista de sangue.
Seu corpo claro, imóvel,
Repousa no seio do tempo.

O Galo Branco adormeceu.
Sua voz vermelha
Está fechada no sono.
Sua voz guerreira
Está cativa à espera
Das luzes primeiras da aurora.

O Galo Branco adormeceu
E nos rosais vão-se abrindo
As asas das rosas.
Os lírios tímidos oferecem
Ao noturno mistério
Os corpos virginais.

O Galo Branco adormeceu.
É a hora em que os sonhos
Caminham livres entre vapores.


©  AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT
 In: Fonte invisível, 1949


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