LEITURAS

Livros, livros, livros...
Antes da palavra escrita,
o que lia o homem?
O Sol, certamente, como a Lua,
as estrelas, as nuvens, as árvores, as flores,
os pássaros, as águas,
o vento...

Livros, livros, livros...
Mas também leio as coisas que os antepassados liam,
inclusive olhos,
que ao longo dos milênio aprimoraram muito as suas dissimulações.
Os olhos,
que leio como leio os livros
e como os livros muitas vezes
são carregados de tolices, más intenções, fraudes, aberrações,
ou opaca mediocridade.
Os olhos que também,
como os livros,
de vez em quando nos levam a horizontes
em que a existência é cálida
e luminosa.

Livros, livros, livros...
Quando eu me for, aqui permanecerão
e quem quiser me visitar
só terá de abri-los.
Ali me verão, de alguma forma, porque por eles passei
e respirei seu ar, leve ou sufocante,
com maus cheiros ou vasto campo de perfumes.
Pois ali permanecerei
por mais um tempo ainda,
mesmo já fechado o último volume
de mim.


© RUY ESPINHEIRA FILHO _____ In: Noite alta e outros poemas. São Paulo: Editora Patuá, 2015. 


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