POEMA DE NOVEMBRO

O difícil é aguentar até que a morte chegue.
Suportar, por exemplo, a memória do teu corpo
e aquela noite (era maio) sob
o branco incêndio da lua.

E tanto mais, tanto mais.
                                  Uma vida não dá
para contar
uma vida.
               E toda uma
às vezes
se consome
numa carícia entre lençóis.
O difícil é aguentar até que a morte
                   chegue.
                                A morte
                   que mata todas as mortes,
                                                        sepulta
                   para sempre
                   todos os mortos. Como
                   este cadáver de amor
                                                   que me perfuma.


© RUY ESPINHEIRA FILHO _____ In: A canção de Beatriz e outros poemas. São Paulo: Brasiliense/Jornal da Bahia, 1990.


Número de visualizações em 2017: 127
Número de curtidas: 19
 
Compartilhar via Facebook Compartilhar via Twitter Compartilhar via Google+

Comentários

Não há comentários postados até o momento. Seja o primeiro!

Postar um novo comentário