VENUS VICTRIX

De que profundos céus rolou a estrela
A dupla estrela que em teus olhos mora?
Qual foi a rósea lágrima da Aurora
Que se encarnou em tua espádua bela?

Dizem que a Vênus Veronesa é a tela
Onde dormia a Forma tentadora:
Eu, louco artista, vê-la quis outrora,
Mas depois que te vi não quero vê-la.

O Eterno Deus, o Estatuário ingente
Burilou-te, a sorrir, a alma inocente,
E — digno escrínio que tal gema encerra —

Pôs em teu corpo dotes aos milhares...
A própria Vênus que surgiu dos mares
Cede-te a palma a ti, Vênus da terra!


© LUÍS GUIMARÃES JÚNIOR. In: Sonetos e Rimas. Roma: Typographia Elzeviriana, 1880.
_____ 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão – Editores, 1886.
_____ Coleção Afrânio Peixoto: 93. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2010.


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