AS MÃOS DE BELA

Essas divinas mãos feitas de arminho,
Lírios, jasmins, anêmonas e rosas,
Mãos, cujas palmas finas e untuosas,
Mais doces são do que o frouxel dum ninho;

Essas divinas mãos que ao burburinho
Da prece se unem tímidas, piedosas,
Mais palpitantes, débeis e medrosas
Que a asa fugaz do tenro passarinho;

Esses milagres de escultura viva
Que o divino buril na sensitiva
Talhou, — franzinas mãos de anjo e de fada,

Sabem vibrar com gesto soberano
E de chofre embeber no peito humano
Do heroico Amor a sanguinária espada.


© LUÍS GUIMARÃES JÚNIOR. In: Sonetos e Rimas. Roma: Typographia Elzeviriana, 1880.
_____ 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão – Editores, 1886.
_____ Coleção Afrânio Peixoto: 93. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2010.


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