A ESTÁTUA

A Fernando Leal

Narrei-lhe o drama de minha alma...
Absorta Num vago ideal talvez, pálida a bela
Tinha nos olhos um clarão de estrela...
Mas no resto do corpo estava morta.

Quando a voz do Poeta canta e exorta
Ou vibra como as asas da procela,
Arrasta céus e mundos... Porém Ela
Aos meus gemidos respondeu: “Que importa?”

Que importa! E contemplava-me tranquila
Aquela ousada encarnação da argila,
Fria, tão fria como a lousa fria...

Morto de dor, de desespero insano,
Dos meus olhos verti ondas de oceano,
E Ela — a sereia — entre meus prantos ria.


© LUÍS GUIMARÃES JÚNIOR. In: Sonetos e Rimas. Roma: Typographia Elzeviriana, 1880.
_____ 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão – Editores, 1886.
_____ Coleção Afrânio Peixoto: 93. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2010.


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