PROFISSÃO DE FÉ

J’ai soif de chasteté, de vertu, de noblesse
Soif d’honneur, de bonté, de beauté, d’idéal...
— EUGÈNE ROSTAND.

O velho Sacerdote escuta cada dia,
Ruja o vento do inverno ou folgue a estiva aragem,
Perante o humilde altar da sua Freguesia,
Do Deus vivo a palavra. E em face àquela imagem

Nada o distrai. O grito estrídulo e selvagem
Da bruta multidão feroz que tripudia,
Não perturba sequer a matinal linguagem
Que o alto campanário às solidões envia.

Como o Padre fiel — o místico soldado
Das falanges de Cristo, — o Poeta isolado,
Perante o largo altar das Crenças imortais,

Sacerdote do Amor, eleva-se num hino,
Ao som da eterna voz dum invisível sino
Que percutem no céu os altos Ideais.


© LUÍS GUIMARÃES JÚNIOR. In: Sonetos e Rimas. Roma: Typographia Elzeviriana, 1880.
_____ 2ª edição revista e aumentada. Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão – Editores, 1886.
_____ Coleção Afrânio Peixoto: 93. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2010.


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