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TEMPO


Ficamos todos muito recuados
muito distantes da linha de ataque
ficamos pra trás, esquivos, acuados
com medo de qualquer queda, qualquer baque
fomos aos poucos deixando, desistindo
repondo as coisas no lugar, perdendo
a força que já era pouca
fomos esquecendo, cedendo
fomos calando a boca.

e assim ficamos de lado, amordaçados
acostumados já às nossas amarras
aprendendo a suportar nossos limites
aceitando a desusar as nossas garras
fomos ficando mais dentro do cerco
obedecendo mais aos assobios
fomos ficando assim quietos e secos
e se é justo, nunca mais se discutiu.


© BRUNA LOMBARDI
In Gaia, 1980

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Comentários (1)

Amei o poema. Vi no programa do Bial e procurei aqui. Achei muito interessante.

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