(4º) QUARTO MOTIVO DA ROSA


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


©CECÍLIA MEIRELES
in Mar Absoluto, 1945


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Comentários (1)

Cecilia Meireles, nos mostra, nos versos, a sublime junção entre fugacidade e eternidade, entre pretérito e presente.

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