MOMENTO NUM CAFÉ

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes da vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

© MANUEL BANDEIRA
In Estrela da Manhã, 1936

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Comentários (5)

Foi lendo esse poema em 1974 que meu ser poeta despertou. Posso dizer que mudou minha vida!
Foi lendo esse poema em 1974 que meu ser poeta despertou. Posso dizer que mudou minha vida!
Foi lendo esse poema em 1974 que meu ser poeta despertou. Posso dizer que mudou minha vida!
Foi lendo esse poema em 1974 que meu ser poeta despertou. Posso dizer que mudou minha vida!
Mas uma porta aberta para quem gosta de poesias..

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