MALDIÇÃO

Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
— Hoje, velha e cansada da amargura,
Minh′alma se abrirá como um vulcão.

E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão...

Maldita sejas pelo Ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!

Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!...

© OLAVO BILAC
In Poesias (Alma Inquieta), 1888

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Comentários (2)

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Bárbara Marinho · 01/07/2016, às 19h59

Olavo Bilac foi e continuará sendo um grande poeta para todos aqueles que sabem reconhecer um poema de qualidade. Poeta do Parnasianismo, escrevia com intensidade, facilitando assim, a compreensão de seus leitores. Bárbara Mª Cruz Marinho. 01 de julho de 2016 - sexta-feira.
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Gabriel Ricardo Pires Rodrigues · 15/05/2018, às 15h18

eu quero para ter maldição um pessoa como faz mal para mim  

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