DIAMANTE NEGRO

Vi-te uma vez, e estremeci de medo...
Havia susto no ar, quando passavas:
Vida morta enterrada num segredo,
Letárgico vulcão de ignotas lavas.

Ias como quem vai para um degredo,
De invisíveis grilhões as mãos escravas,
A marcha dúbia, o olhar turvado e quedo
No roxo abismo das olheiras cavas...

Aonde ias? aonde vais? Foge o teu vulto;
Mas fica o assombro do teu passo errante,
E fica o sopro desse inferno oculto,

O horrível fogo que contigo levas,
Incompreendido mal, negro diamante,
Sol sinistro e abafado ardendo em trevas.

© OLAVO BILAC
In Tarde, 1919

Número de visualizações em 2017: 973
Número de curtidas: 61
 
Compartilhar via Facebook Compartilhar via Twitter Compartilhar via Google+

Comentários (1)

Avatar do visitante

Joaquim Mendes · 02/12/2014, às 02h37

O soneto é a mais sublime homenagem que se poderia render à mulher negra!

Postar um novo comentário