A CASA

Vê como as aves têm, debaixo d’asa,
O filho implume, no calor do ninho!...
Deves amar, criança,a tua casa!
Ama o calor do maternal carinho!

Dentro da casa em que nasceste és tudo...
Como tudo é feliz, no fim do dia,
Quando voltas das aulas e do estudo!
Volta, quando tu voltas, a alegria!

Aqui deves entrar como num templo,
Com a alma pura, e o coração sem susto:
Aqui recebes da Virtude o exemplo,
Aqui aprendes a ser meigo e justo.

Ama esta casa! Pede a deus que a guarde,
Pede a Deus que a proteja eternamente!
Porque talvez, em lágrimas, mais tarde,
Te vejas, triste, d’esta casa ausente...

E, já homem, já velho e fatigado,
Te lembrarás da casa que perdeste,
E hás de chorar, lembrando o teu passado...
— Ama, criança, a casa em que nasceste!

© OLAVO BILAC
In Poesias Infantis (2ª Ed.), 1929

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Comentários (4)

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Leopoldina de Menezes · 17/08/2016, às 13h55

Esta poesia marcou minha infancia. Nos caminhos que eu fazia de volta a casa, eu a recitava baixinho. O tempo passou e nos momentos difíceis de minha vida, eu sabia que tinha uma casa com a pintura desbotada, mas com as portas sempre abertas por onde eu, poderia entrar recitando aquelas palavras COMO TUDO É FELIZ NO FIM DO DIA (como tudo é feliz no fim da vida)
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Leopoldina de Menezes · 17/08/2016, às 14h08

Esta poesia deveria ser apresentada nas salas de aula para alunos que como eu, teriam seus sentimentos voltados para a importancia de um lar, do amor a família e o seu despertar para a poesia. Eu tinha apenas oito anos quando minha professora a escreveu no quadro-negro, fazendo-me encantar e nunca me esquecer daquelas aulas que, de alguma forma, moldaram a minha personalidade.
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Maria Cleyde Leite · 26/11/2016, às 20h12

Aprendi essa poesia ainda no primário e até hoje aos 81 anos lembro das reuniões de pais e mestres onde sempre um de nossos/as colegas a recitava sempre orientados/as pela nossa diretora dona Olindina.Havia ordem e disciplina sem falar no respeito aos nossos superiores.
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jorge luiz gmeiner furquim · 12/07/2017, às 18h59

amo esta poesia minha saudosa maezinha recitava quase todas as noites para mim quando eu era crianca

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