O LEÃO E O CAMUNDONGO

(fábula de Esopo)

Um camundongo humilde e pobre
Foi um dia cair nas garras de um leão.
E esse animal possante e nobre
Não o matou por compaixão.

Ora, tempos depois, passeando descuidoso,
Numa armadilha o leão caiu:
Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso...
Com todo o seu vigor as cordas não partiu.

Então, o mesmo fraco e pequenino rato
Chegou: viu a aflição do robusto animal,
E, não querendo ser ingrato,
Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal...

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,
Pode sempre trazer em paga outro favor.
E o mais forte de nós, do orgulho esquecendo,
Deve os fracos tratar com caridade e amor.

© OLAVO BILAC
In Poesias Infantis (2ª Ed.), 1929

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Comentários (1)

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JOÃO CABRAL · 05/11/2017, às 13h15

NA VERDADE TODOS PRECISAM UNS DOS OUTROS. E MESTRE BILAC DESCREVEU BRILHANTEMENTE NESTE BELO POEMA.

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