SER POETA

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda gente!


© FLORBELA ESPANCA
In Charneca em flor, 1931


FONTE(S) DO(S) ÁUDIO(S):

Ser poeta, poema de Florbela Espanca
Música: Luiz Antonio Batista da Rocha
Arranjo e interpretação: Gabriel Alves Gonçalves
In: http://www.outorga.com.br/
© Luiz Antonio Batista da Rocha
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Ser poeta, poema de Florbela Espanca
Interpretação: José Henrique de Freitas
In: http://www.outorga.com.br/
© Luiz Antonio Batista da Rocha
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